Costa será ouvido na Justiça em ação contra Cerveró e Fernando Baiano

Ex-diretor de Abastecimento vai confrontar ex-diretor de Internacional e lobista ligados ao PMDB, segundo a Lava Jato, e apontar envolvimento dos dois em esquema de corrupção na Petrobrás

Redação

13 Fevereiro 2015 | 09h50

Atualizado às 10h09

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa será ouvido nesta sexta-feira, 13, pela Justiça Federal, em Curitiba. O doleiro Alberto Youssef, ao contrário do que anteriormente informado, apenas vai acompanhar um dos depoimentos previstos para esta sexta. Os dois delatores da Operação Lava Jato, que desbaratou um bilionário esquema de corrupção da Petrobrás, foram chamados como testemunhas de acusação no processo criminal em que foram denunciados o ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró e o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano – ambos apontados como elos do PMDB na arrecadação de propina na estatal.

Costa – que admitiu ser parte do esquema que arrecadava de 1% a 3% de propina em contratos da Petrobrás a partir de 2004 – vai confrontar Cerveró e Fernando Baiano, que até agora negaram integrarem a organização criminosa denunciada pela força-tarefada da Lava Jato.

Nestor Cerveró, que estará em audiência na Justiça Federal, nesta sexta-feira, em Curitiba. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Nestor Cerveró, que estará em audiência na Justiça Federal, nesta sexta-feira, em Curitiba. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O depoimento do processo em que Cerveró e Baiano são réus por desvios em contratos de construção de navios-sonda começa às 11h.  Com os depoimentos de hoje, o juiz Sérgio Moro encerra a fase de depoimentos de acusação da sétima fase da Operação Lava Jato – batizada de Juízo Final. Deflagrada em 14 de novembro de 2014, ela mirou os executivos do cartel acusado de corromper agentes públicos da Petrobrás em troca dos contratos e o esquema envolvendo o PMDB na área internacional.

Cerveró e Fernando Baiano negam qualquer relação com o recebimento de propina, com crimes de lavagem de dinheiro. Por meio de suas defesas, os dois já recorreram das decisões que determinaram suas prisões, sem sucesso. Os dois estão presos na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Youssef. Em sua delação premiada, o doleiro mencionou o executivo Julio Gerin Camargo como operador de propina na Petrobrás com o PT. Camargo também é delator e admitiu ter pago propinas ao esquema. O doleiro vai apontar a ligação do operador de propina na Diretoria de Serviços como homem ligado ao ex-ministro José Dirceu, ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, com a atuação do partido no esquema.

Camargo é apontado como intermediador da multinacional japonesa Toyo Engeneering do pagamento de propina em contratos envolvendo a Diretoria de Internacional, que era comandada por Cerveró.