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Costa diz que responsabilidade por Pasadena foi de Cerveró

Redação

21 agosto 2014 | 20:57

Em depoimento à Comissão de Apuração da estatal, Paulo Roberto Costa afirma que não participou de negociações.

por Fausto Macedo e Mateus Coutinho

Réu em duas ações criminais da Operação Lava Jato, uma delas por lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás, o ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera, Paulo Roberto Costa, empurrou para o economista Nestor Cerveró, ex-diretor de área Internacional da empresa, a responsabilidade pela compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Costa prestou depoimento perante a Comissão Interna de Apuração da Petrobrás. Ele respondeu 10 perguntas. Indagado sobre Pasadena, afirmou que o processo de aquisição “foi totalmente conduzido pela área Internacional”, então dirigida por Cerveró.

“Não participei em nenhum momento de negociações”, esquivou-se.

Em julho, o Tribunal de Contas da União bloqueou os bens de Costa e de Cerveró.

Cópia do relato do alvo da Lava Jato perante a Comissão da Petrobrás foi juntada pela defesa nos autos do processo criminal em curso na Justiça Federal em Curitiba. Essas declarações do ex-diretor foram feitas por escrito.

Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

A linha central de sua argumentação é que não teve participação na compra da Refinaria.

Questionado sobre quem de sua equipe participou do processo de avaliação e negociação da Refinaria, ele esquivou-se, novamente. “Não tomei conhecimento da avaliação da Refinaria, senão na presença dos outros diretores e do presidente da Petrobrás (na época, José Sérgio Gabrielli).”

Ele fez uma ressalva. “Na época, a aquisição fazia sentido, pois a Petrobrás estava exportando muito petróleo para os Estados Unidos. Se a Petrobrás exportasse este petróleo para uma refinaria da qual ela tivesse participação, agregar-se-ia muito valor na venda destes produtos.”

Cláusulas. Questionado sobre as cláusulas Put Option (de saída) e Marlim (de rentabilidade), o ex-diretor afirmou que não participou da elaboração delas e de que “estas cláusulas não foram submetidas a conhecimento, nem da Diretoria Executiva da Petrobrás, nem do Conselho de Administração.”

Costa acentuou que sua participação “limitou-se às reuniões de diretoria e solicitação ao Gerente Executivo de Refino para indicar técnicos da área de Abastecimento, com o intuito de analisar a parte técnica e do processo de refinaria”.

Perguntado sobre quem o indicou para integrar o Comitê de Proprietários da Refinaria, como representante da Petrobrás, ele declarou. “A indicação para o Comitê de Proprietários da Refinaria foi feita pela Diretoria Internacional, com a aprovação da Presidência da Petrobrás. Este comitê estava previsto no contrato de compra da Refinaria.”

LEIA A ÍNTEGRA DO RELATO DE PAULO ROBERTO COSTA À COMISSÃO INTERNA DA PETROBRÁS