Corrupção na Petrobrás, no Planejamento e no Dnit são ‘ramos de uma mesma árvore’, diz procurador

Deltan Dallagnol afirma que a Operação Abismo - 31ª fase da Lava Jato - e três operações das últimas semanas, Turbulência, Saqueador e Custo Brasil, sobre propinas na compra do jato que matou Eduardo Campos, em obras da empreiteira da Delta e nos contratos de empréstimos consignados dos servidores, têm conexão e personagens comuns

Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Julia Affonso

04 Julho 2016 | 10h01

O procurador da República Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato

A 31ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, que aponta nova frente de propinas na Petrobrás, revela a conexão entre três esquemas de corrupção alvos do Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal nos últimos 10 dias. A Operação Abismo une os desvios na estatal petrolífera com os descobertos no Ministério do Planejamento, alvo da Operação Custo Brasil, nos contratos da construtura Delta, em especial no Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), alvo da Operação Saqueador, e na estrutura alvo da Operação Turbulência, que apurou lavagem da dinheiro na compra do jato que caiu com o ex-governador Eduardo Campos (PSB).

“Três operações da última semana, Saqueador, Custo Brasil e a de hoje, são ramos de uma mesma árvore”, afirma o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. “Juntas formam um ícone da recente articulação da Justiça que começa a cercar em diversas frentes de investigação mega-esquemas criminosos de desvio de dinheiro público que se interconectam.”

A Operação Abismo, que cumpre cinco mandados de prisão nesta segunda, aponta que o ex-vereador do PT, em Americana, Alexandre Romano, o Chambinho, intermediou propinas sobre obras do Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes) para o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, que “teria recebido os valores na condição de agente do Partido dos Trabalhadores”. Segundo a Procuradoria da República, o esquema envolveu diversas empresas que pagaram mais de R$ 39 milhões em vantagens indevidas para participantes do certame licitatório, para Diretoria de Serviços e PT.

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Segundo os investigadores, Alexandre Romano confessou que usou suas empresas, a Oliveira Romano Sociedade de Advogados, a Link Consultoria Empresarial e a Avant Investimentos e Participação Ltda., para receber mais de R$ 1 milhão das construtoras integrantes do Consórcio Novo Cenpes – que construiu o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, no Rio.

Um dos principais alvos dessa fase é o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira. O juiz federal Sérgio Moro, a pedido do Ministério Público Federal, determinou a prisão de Ferreira – que já está custodiado preventivamente na Operação Custo Brasil. Outros nomes, como o do lobista Adir Assad, preso na semana passada na Operação Saqueador, junto com o dono da Delta, Fernando Cavedish, também são alvos da Operação Abismo.

“É expressão disso (da conexão entre os casos) o fato de que há alvos em comum entre Lava Jato e as demais, como Adir Assad, no caso da Saqueador, e Paulo Ferreira, na Custo Brasil. É preciso uma atuação interinstitucional firme contra a corrupção se desejamos que os demais ramos dessa mesma árvore possam produzir frutos como a Lava Jato”, afirmou Dallagnol.

No caso da Operação Turbulência, além do operador de propinas Alberto Youssef – peça central da Lava Jato – que participou da lavagem de dinheiro na compra do jato usado pelo ex-governador Eduardo Campos, há a presença da empreiteira OAS.

A 31.ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, cumpre medidas cautelares pedidas pelo Ministério Público Federal ‘com a finalidade de obter provas adicionais de crimes de organização criminosa, cartel, fraudes licitatórias, corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de contratos da Petrobrás, em especial do contrato celebrado pelo Consórcio Novo Cenpes’. Foram expedidos 22 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 4 mandados de prisão temporária e 7 mandados de condução coercitiva.

 

 

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