Corrupção de Cabral abalou força do Estado contra crise, afirma juiz

Corrupção de Cabral abalou força do Estado contra crise, afirma juiz

Para Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal, esquema implantado por ex-governador reduziu legitimidade do poder público no combate ao declínio econômico que golpeou o Rio

Luiz Vassallo, Wilson Tosta, Constança Rezende e Julia Affonso

21 Setembro 2017 | 05h00

Ao condenar o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) a 45 anos e 2 meses de prisão, o juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal, disse ver uma diminuição da legitimidade das autoridades do Estado no combate à crise em razão dos episódios de corrupção envolvendo o peemedebista e seus aliados.

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Segundo a denúncia da Procuradoria da República, acolhida pelo juiz Bretas, o peemedebista, apontado como líder de organização criminosa, cobrava 5% de propinas sobre o valor de obras da empreiteira Andrade Gutierrez.


O Ministério Público Federal do Rio aponta que a construtora era uma das beneficiadas dos esquemas do ex-governador.

Entre as obras em que teria havido propinas, estão a expansão do Metrô em Copacabana, a reforma do estádio do Maracanã para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e para a Copa do Mundo de 2014, a construção do Mergulhão de Caxias, a urbanização do Complexo de Manguinhos, com recursos do Programa de Aceleração de Crescimento, o PAC, do governo federal, e o Arco Metropolitano.

Em razão dos supostos crimes, o magistrado cobra R$ 224 milhões a serem ressarcidos solidariamente pelos condenados na ação.

O ex-governador é considerado pelo juiz federal como o ‘principal idealizador’ dos esquemas ilícitos e ‘grande fiador das práticas corruptas’ da organização criminosa que supostamente lidera.

“Ainda que não se possa afirmar que o comportamento deste condenado seja o responsável pela excepcional crise econômica vivenciada por este estado, é indubitável que os episódios de corrupção tratados nestes autos diminuíram significativamente a legitimidade das autoridades estaduais na busca para a solução da crise atual. Finalmente, o comportamento dos lesados, União e Estado do Rio de Janeiro, não interferem nesta dosimetria”, anotou Bretas.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RENATO DE MORAES, QUE DEFENDE ADRIANA ANCELMO

A defesa de Adriana Ancelmo, inconformada com a sentença, dela irá recorrer, assim que intimada pelos meios processuais pertinentes, uma vez que os argumentos levantados em alegações finais, que conduziriam à sua absolvição, foram ignorados pelo juiz.

COM A PALAVRA, RODRIGO ROCA, QUE DEFENDE SÉRGIO CABRAL

“Vamos recorrer. Sabemos que o juiz Marcelo Bretas, que já não tem imparcialidade para julgar nenhuma causa do ex-governador, vai condenar. De maneira que nós estamos preparando os recursos para os órgãos de jurisdição superior. A gente sabe que o juiz Marcelo Bretas vai condenar em tudo, porque justamente não tem mais a imparcialidade necessária para julgar nenhuma causa do Sérgio Cabral.O Tribunal ainda não decidiu sobre nosso pedido de afastamento do juiz das causas.”