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ANOS DE CHUMBO

‘Corrida por Manoel’ resgata memória do operário morto nos porões

Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes faz homenagem a Manoel Fiel Filho, torturado até a morte há 40 anos nas dependências do DOI/Codi da famigerada Rua Tutóia, 921

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Fausto Macedo e Fernanda Yoneya

17 Fevereiro 2016 | 06h00

Foto: JF Diorio/ESTADÃO

Foto: JF Diorio/ESTADÃO

No dia 17 de janeiro de 1976 o metalúrgico Manoel Fiel Filho foi torturado e morto no sinistro endereço da ditadura militar, Rua Tutóia, 921, Paraíso- ali ferviam os porões do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI/Codi), do antigo II Exército.

Nesta quarta-feira, 17, quarenta anos e um mês depois, será dada a largada da ‘Corrida por Manoel’, uma homenagem à memória de Fiel Filho prestada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

Às 8 horas será realizado ato simbólico no Sindicato, à Rua Galvão Bueno, 782, na Liberdade. Em seguida, sindicalistas metalúrgicos e de outras categorias farão uma caminhada até a construção que abrigou o DOI-Codi.

O projeto ‘Corrida por Manoel’, do jornalista e maratonista Rodolfo Lucena, prevê 40 dias de jornada, cujos trajetos relembrarão a vida, a trajetória, a prisão e execução do trabalhador, a luta da família em defesa de sua memória e o embate contra o regime militar (1964-1985).

‘Corrida por Manoel’ será encerrada no dia 9 de abril, com um ato no Memorial da Resistência.

A morte de Fiel Filho provocou uma reviravolta nos porões. Três meses antes, a 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado no mesmo endereço da repressão.

Na época, o então presidente Ernesto Geisel demitiu o comando do II Exército.

Fiel Filho havia sido detido um dia antes de aparecer morto. Não havia nenhuma acusação formal, nem mesmo investigação contra o metalúrgico. Segundo o Ministério Público Federal, os agentes da ditadura chegaram a ele por causa do depoimento de um preso político que informou que Fiel Filho lhe teria entregado exemplares de uma publicação do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

“Esse resgate da memória é importante para mostrar aos trabalhadores a necessidade de avançar na luta. As gerações mais jovens não conhecem a história das lutas e conquistas do movimento sindical, não têm muita noção para que serve um Sindicato e a sua importância na vida política e social do País; não sabem que os direitos que eles têm hoje garantidos é graças à luta dos companheiros do passado”, afirma o presidente do Sindicato, Miguel Torres.

Fiel Filho era sindicalizado e militante. No 11.º Congresso dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, realizado em junho de 2009, o Sindicato instituiu o dia 17 de Janeiro como ‘Dia do Delegado Sindical Metalúrgico’ e lançou um selo comemorativo em homenagem ao operário que a repressão matou.

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