Corregedora investiga ministro do STJ citado por Delcídio

Corregedora investiga ministro do STJ citado por Delcídio

Ministra Nancy Andrighi pediu ao Supremo compartilhamento da delação premiada de ex-líder do Governo no Senado que aponta suposto envolvimento do ministro Ribeiro Dantas na Lava Jato

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

28 Abril 2016 | 05h00

Ribeiro Dantas. Foto: Sérgio Lima/STJ

Ribeiro Dantas. Foto: Sérgio Lima/STJ

A Corregedoria Nacional de Justiça investiga o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça. A ministra Nancy Andrighi, corregedora, solicitou ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), compartilhamento de provas nos autos da delação do senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS).

Ribeiro Dantas foi citado pelo senador, ex-líder do Governo no Senado, em sua colaboração premiada. Segundo Delcídio, a nomeação de Ribeiro Dantas ao cargo de ministro do STJ era uma estratégia do governo para garantir a soltura dos executivos Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, e Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez.

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O pedido da ministra ao Supremo foi feito na segunda-feira, 25. “Tendo em vista a necessidade de aprofundamento na análise de informações veiculadas na imprensa, a respeito do possível envolvimento do Min. Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, nos fatos investigados na denominada “Operação Lava Jato”, solicito a Vossa Excelência o compartilhamento das provas pertinentes, para posterior deliberação da Corregedoria Nacional de Justiça sobre eventual instauração de procedimento administrativo disciplinar.”

Delcídio Amaral foi preso em 25 de novembro do ano passado por decisão do Supremo Tribunal Federal a pedido da Procuradoria-Geral da República. Em conversa gravada por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional), o senador é flagrado discutindo um plano para obstruir a Lava Jato. Ele e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, supostamente iriam financiar a fuga de Cerveró – preso desde janeiro na Lava Jato.

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Anexo 1 da delação de Delcídio Amaral

anexo-1-1O anexo 1 da delação de Delcídio é intitulado “Nomeação do ministro Marcelo Navarro Dantas para a soltura dos presos da Lava Jato”. No documento, o senador relata que a indicação seria ‘uma nova solução’ para a liberação de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo.

“Tal nomeação seria relevante para o governo, pois o nomeado entraria na vaga detentora de prevenção para julgamento de todos os habeas corpus e recursos da Operação Lava Jato no STJ”, declarou Delcídio. “Delcídio e a presidenta Dilma conversaram enquanto caminhavam pelos jardins do Palácio da Alvorada e Dilma solicitou que Delcídio conversasse com o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura do Marcelo e de Otávio.”

O senador detalhou um encontro com o ministro Ribeiro Dantas. “Conforme combinado, Delcídio Amaral se encontrou com o desembargador Marcelo Navarro no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera, o que poderá ser atestado pelas câmeras do Palácio do Planalto. Nessa reunião, muito rápida pela gravidade do tema, o Dr. Marcelo ratificou seu compromisso.”

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O ministro Teori Zavascki autorizou o compartilhamento, na terça-feira, 26, ‘com o imediato envio à Corregedoria Nacional de Justiça de mídia digital contendo os autos assinalados’.

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‘Compromisso de alinhamento’. Também em delação premiada, o ex-chefe de gabinete de Delcídio Amaral citou o ministro Ribeiro Dantas. Ele confirmou a ofensiva do governo para tentar interferir na Lava Jato através da nomeação de Ribeiro Dantas.

Diogo Ferreira disse que o parlamentar relatou a ele conversas com a presidente Dilma Rousseff na qual a petista pediu “compromisso de alinhamento” de Navarro com o governo e citou o caso do presidente da Odebrecht preso preventivamente pelo juiz Sérgio Moro, Marcelo Odebrecht.

COM A PALAVRA, O MINISTRO MARCELO NAVARRO RIBEIRO DANTAS

O ministro informou, por meio da assessoria de imprensa do Superior Tribunal de Justiça, que não vai se manifestar.

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