Coronel amigo de Temer usou offshore no Uruguai para comprar duplex, diz PF

Coronel amigo de Temer usou offshore no Uruguai para comprar duplex, diz PF

Relatório destaca que João Baptista Lima Filho se valeu da Langley Trade CO S/A, registrada em Montevidéu, para aquisição de imóveis

Fabio Serapião e Beatriz Bulla

22 Setembro 2017 | 05h15

Apontado pelos delatores do Grupo J&F como recebedor de R$ 1 milhão em propina destinada ao presidente Michel Temer, o coronel aposentado João Baptista da Lima Filho se valeu de uma offshore sediada no Uruguai para comprar dois imóveis em São Paulo. Um deles, no qual Lima Filho mora e onde a Polícia Federal realizou busca e apreensão no âmbito da Operação Patmos, é um duplex.

As informações sobre os imóveis e a ofsshore Langley Trade Co SA constam em relatório da PF sobre os itens apreendidos com o coronel no dia da deflagração da Patmos, em 18 de maio. O documento foi anexado pela Procuradoria-Geral da República na denúncia oferecida contra o presidente Michel Temer por obstrução de Justiça e organização criminosa.

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O Estado revelou em junho que a PF havia encontrado 17 recibos relacionados a offshore Langley na casa do coronel amigo de Temer. Na Receita Federal, a Langley está registrada como empresa domiciliada em Montevidéu. No banco de dados do Panamá Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que teve participação de jornalistas do Estado, o endereço está atrelado a várias offshores.

No relatório anexado à denúncia, a PF afirma que os recibos estão atrelados às transações para compra e venda dos imóveis e que o representante na offshore seria o uruguaio Emilio Gaston Tuneu Mohr. Segundo a PF, o uruguaio é o mesmo que já foi alvo da operação Castelhana, realizada em 2006 e responsável por desarticular um grupo criminoso que atuava na “blindagem patrimonial” de grandes empresários.

“Observadas as informações apresentadas no item 3.1 deste relatório, considera-se a possibilidade da offshore Langley Trade CO SA ser na verdade de João Baptista Lima Filho e integrar o mesmo esquema denunciado na Operação Castelhana”, diz o relatório da PF.

Delação. No acordo de colaboração dos executivos da J&F, o contador Florisvaldo Caetano de Oliveira, apontado pela JBS como responsável por entregar dinheiro a políticos, relatou ao menos dois encontros com Lima Filho. O primeiro, segundo Oliveira, teve como objetivo conhecer o destinatário, chamado de “coronel”, e combinar a forma de entrega dos valores. No segundo encontro, o contador afirmou ter entregue R$ 1 milhão em espécie para Lima Filho.

Outro delator, o diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud, entregou uma série de documentos à Procuradoria-Geral da República mostrando que o endereço citado por Oliveira era o da empresa Argeplan Arquitetura e Engenharia, cujo dono é o amigo de Temer. A Argeplan integra um consórcio que ganhou concorrência em 2012 para executar serviços na Usina de Angra 3. As obras são investigadas na Lava Jato.

COM A PALAVRA, O CORONEL

O Estado entrou em contato com o coronel Lima Filho por meio de uma ligação para sua empresa, a Argeplan, mas o telefonema não foi atendido.

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