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Conta secreta era uma ‘poupança’ para a aposentadoria, diz João Santana

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Conta secreta era uma ‘poupança’ para a aposentadoria, diz João Santana

Marqueteiro do PT, preso na 23ª fase da Lava Jato, afirma à Polícia Federal que abriu em 1998 conta na Suíça, em nome da Shellbill Finance, para receber US$ 70 mil em sua primeira campanha eleitoral no exterior, na Argentina

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Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

25 Fevereiro 2016 | 16h22

O ex-marqueteiro do PT João SantanaAFP PHOTO / STR

O ex-marqueteiro do PT João SantanaAFP PHOTO / STR

A conta era mantida como uma ‘poupança’ para sua aposentadoria”, registra a Polícia Federal, nas quatro páginas do depoimento do marqueteiro do PT João Santana, preso há dois dias alvo da 23ª fase da Operação Lava Jato. Ele e a mulher, Mônica Moura, são suspeitos de terem recebido pelo menos US$ 7,5 milhões por meio da conta secreta, na Suíça, em nome da offshore Shellbill Finance SA.

Os pagamentos foram feitos pela Odebrecht, por meio de offshores controladas por ela, segundo a Lava Jato, e pelo operador de propinas ligado ao estaleiro holandês Keppel Fels Zwi Skornicki – também preso na nova fase batizada Operação Acarajé.

“Com relação à conta aberta na Suíça em nome da Shellbill Finance SA, acredita que tenha sido aberta por volta do ano de 1998/99 para recebimento de valores de aproximadamente 70 mil dólares de um serviço prestado na Argentina”, registra a PF, no depoimento ouvido pelo delegado Márcio Adriano Anselmo.

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“É o controlador da referida conta”, afirmou Santana, segundo registro da PF.

Disse que não sabe quem são os beneficiários e que acreditava que a offshore era ligada à empresa Polis Argentina – que ele declarou ser dono apenas em 2015. O marqueteiro soube que a conta não era vinculada à empresa argentina em recente auditoria.

Criador das campanhas eleitorais do casal, João Santana explicou que é sua mulher e sócia, Mônica Moura, que cuida da área financeira e administrativa dos negócios. A conta, segundo o marqueteiro, foi aberta por intermédio de um representante no Uruguai, por indicação de um amigo argentino.

No Brasil, os dois foram os marqueteiros das últimas três campanhas presidenciais do PT, Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Luiz Inácio Lula da Silva (2006). Fora do Brasil, participavam até domingo da campanha na República Dominicana, mas atuaram em Angola, no Panamá, na Venezuela.

“(Santana) acredita que que a conta passou a receber mair volume de recursos nos anos de 2011/2012 quando o declarante atuou nas três campanhas presidenciais no exterior”, afirmou o marqueteiro. A campanha de Angola teria custado US$ 50 milhões, “não se recordando da República Dominicana do custo das campanhas na República Dominicana e na Venezuela”.

Santana diz não ter como esclarecer a origem dos valores que entraram na conta da Shelbill, nem o destino do dinheiro. “Mônica é responsável pelas movimentações na referida conta.”

No caso dos recebimentos de offshores que seriam ligadas à Odebrecht, Santana disse desconhecer os pagamentos feitos pela empreiteira. No caso de Zwi, lembrou apenas que havia valores a receber pela disputa eleitoral em Angola.

O marqueteiro disse lembrar que “em alguns momentos, em razão de crises de liquidez, fora utilizados valores da referida conta para aquisição de equipamentos ou pagamentos de fornecedores”.

Conta. Santana afirmou à PF que abriu a conta da Shellbill quando iniciou sua carreira internacional em 1998, nas eleições na Argentina. O marqueteiro do PT disse que no ano de 2002 retornou ao Brasil e atuou na campa nha ao Senado de Delcídio do Amaral (PT-MS).

“No ano de 2005/2006, em razão do caso mensalão foi convidado pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva para atuar na campanha à Presidência do mesmo”, registra a PF. Citou em seu histórico profissional ainda as campanhas de Marta Suplicy e Gleisi Hoffmann, além da atuação como consultor na disputa eleitoral em Campinas.

 

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