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Conjunto de indícios contra o sr. Luiz Inácio é bastante significativo, diz procurador

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Conjunto de indícios contra o sr. Luiz Inácio é bastante significativo, diz procurador

"O inacreditável é que haja o pagamento de cerca de R$ 40 mil pela opção de um apartamento no qual sejam gastos R$ 700 mil em obras de benfeitorias e que isto simplesmente não seja considerado como uma vantagem", afirmou Carlos Fernando dos Santos Lima sobre tríplex que Lula diz não ser dele

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Ricardo Brandt, Andreza Matais e Julia Affonso

04 Março 2016 | 10h59

lulaoperacao

O ex-presidente Lula

Atualizada às 11h53

O procurador Regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou nesta sexta-feira, 4, que o conjunto de indícios contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘é bastante significativo’. O petista é alvo da Operação Aletheia, o ápice da Operação Lava Jato. Lula foi conduzido coercitivamente – quando o investigado é levado para depor e liberado – a uma unidade da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde começou prestou depoimento.

O ex-presidente começou a falar por volta das 8h. O depoimento durou quase 4 horas.

“Trata-se de apenas de mais uma etapa da Operação Lava Jato, etapa necessária diante das provas colhidas durante as investigações”, disse. “O conjunto de indícios é bastante significativo. Infelizmente muitos dele apareceram na imprensa muito antes de nós podermos fazer uma investigação aprofundada, como por exemplo, compras de pedalinhos para o sítio, obras feitas pela Odebrecht.”

Segundo o Ministério Público Federal, ‘há evidências de que o ex-presidente Lula recebeu valores oriundos do esquema Petrobrás por meio da destinação e reforma de um apartamento tríplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora. Também são apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras.

“Este é o momento de sermos republicanos. Não há ninguém isento de investigação no País. Na força-tarefa Lava Jato, em Curitiba, nós investigamos apenas pessoas sem foro privilegiado. Neste caso o sr Luiz Inácio não tem foro privilegiado”, afirmou.

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As entradas e saídas de valores do Instituto Lula e da LILS Palestras, ligadas ao ex-presidente, o apartamento 16-4A, no Condomínio Solaris, no Guarujá, o sítio “Santa Bárbara”, em Atibaia, e o pagamento de um guarda móveis são alvo da Aletheia. O procurador disse que, entre 2011 e 2014, 60% das doações do Instituto Lula e 47% dos valores das palestras pagas à LILS Palestras são oriundos das cinco maiores empreiteiras envolvidas no esquema Petrobrás, investigado na Lava Jato.

“Nós temos palestras no exterior, indícios sob investigação de obras no exterior na qual poderia haver tráfico de influência. O inacreditável é que haja o pagamento de cerca de R$ 40 mil pela opção de um apartamento no qual sejam gastos R$ 700 mil em obras de benfeitorias e que isto simplesmente não seja considerado como uma vantagem. Nós temos que investigar isso”, afirmou Carlos Fernando dos Santos Lima.

“As vantagens obtidas pelo crime de corrupção não precisam ser dinheiro. Qualquer vantagem ou obras, benefícios de qualquer espécie realizados devem ser investigados. R$ 20 milhões foram doados ao Instituto Lula pelas cinco maiores empreiteiras. Isto é um valor significativo. Doações podem ser realizadas por diversos motivos, mas nós precisamos analisar claramente se isso tem alguma vinculação com as obras fraudadas com a Petrobrás e outros órgãos”.

Segundo o procurador, o Instituto Lula, que tem benefícios fiscais, pagou à empresa G4 ‘que pertence a um filho do ex-presidente, mais de R$ 1 milhão em serviços’. “Nós precisamos investigar se foram realmente realizados. Se não foram realizados, podem caracterizar um benefício aos filhos do ex-presidente.”

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