‘Como teremos serenidade?’, questiona procuradora da Lava Jato em São Paulo

‘Como teremos serenidade?’, questiona procuradora da Lava Jato em São Paulo

Invocando recomendação da ministra Cármen Lúcia, para quem o Brasil vive tempos de 'intolerância', Thaméa Danelon, do Ministério Público Federal, alerta que se o Supremo soltar condenados em 2.ª instância medida poderá beneficiar homicidas, estupradores, traficantes, corruptos e pedófilos

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

04 Abril 2018 | 08h02

Thaméa Danelon. Foto: Arquivo Pessoal

A procuradora Thaméa Danelon, da força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo, escreveu em sua conta no Twitter. “A ministra Cármen Lúcia disse que precisamos de ‘serenidade’, mas caso o STF solte condenados em 2.ª instância tais como homicidas, estupradores, traficantes, corruptos e pedófilos, como teremos serenidade?”

Na segunda-feira, 2, Cármen foi ao ar na TV Justiça para dizer que o Brasil ‘vive tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições’. Ela pediu ‘serenidade’.

“Por isso mesmo, este é um tempo em que se há de pedir serenidade.”

“Serenidade para que as diferenças ideológicas não sejam fonte de desordem social. Serenidade para se romper com o quadro de violência. Violência não é justiça. Violência é vingança e incivilidade”, alertou a ministra.

No Twitter, a procuradora Thaméa Danelon anotou nesta terça-feira, 3. “Ontem a ministra Cármen Lúcia disse que o Brasil vive tempos de ‘intolerância’. E vive mesmo, intolerância contra a corrupção e a impunidade. Por conta disso, essencial para esse combate que o STF não mude seu precedente que autoriza ap risão após condenação em 2.ª instância.”

Thaméa seguiu. “A certeza da impunidade é uma das principais causas da corrupção. Quanto menor o risco de punição maior a audácia e as práticas corruptas. Nós queremos avançar ou retroceder nesse combate?”

A procuradora faz um alerta. “O STF não decidirá apenas sobre a liberdade do ex presidente Lula, mas de todos os já condenados em 2.ª instância na Operação Lava Jato, a qual correrá sérios riscos de prosseguimento com efetividade no combate à corrupção.”

A procuradora enfatizou. “A sessão do STF será histórica. Vamos ver como decidirão os ministros, se (a) a favor ao combate à corrupção e à impunidade; em defesa da sociedade e do Estado Democrático de Direito; da segurança jurídica OU (b) a favor de poucos poderosos.”

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