Com ‘sintomas de ansiedade’, Yunes pede liberdade

Com ‘sintomas de ansiedade’, Yunes pede liberdade

Advogados do amigo do presidente Michel Temer (MDB) protocolaram na tarde quinta-feira, 29, no gabinete do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo, pedido de revogação da prisão temporária ou concessão de regime domiciliar soba alegação de saúde fragilizada e idade avançada

Breno Pires e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

29 Março 2018 | 17h12

José Yunes. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

A defesa do empresário José Yunes, amigo do presidente Michel Temer (MDB), protocolaram na tarde quinta-feira, 29, no gabinete do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo, pedido de revogação da prisão temporária ou concessão de regime domiciliar soba alegação de saúde fragilizada e idade avançada. José Yunes foi preso pela manhã na Operação Skala, que investiga irregularidades no Decreto dos Portos, e prestou depoimento na Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo.

“Mesmo já tendo, em três oportunidades distintas, prestado declarações nos autos principais, o requerente (José Yunes) foi surpreendido, na data de hoje, com uma ordem de prisão temporária, para que fosse, pela quarta vez, inquirido sobre os mesmíssimos fatos”, argumenta a defesa.

Documento

O pedido é subscrito pelos advogados José Luis Oliveira Lima, Rodrigo Dall’Acqua, Ana Carolina Piovesana e Rossana Brum Leques. Os defensores afirmam que ‘não há motivos’ para se manter José Yunes preso temporariamente, pois ele ‘não representa qualquer risco para o bom andamento das investigações ou a colheita de provas’.

De acordo com os advogados, o amigo de Temer ‘é primário, ostenta ótimos antecedentes, está com 81 anos de idade e passa por sérias complicações de saúde’.

“Seu estado de saúde atual passa por tratamento químico e ambulatorial. Ele apresenta quadro clínico psiquiátrico com tratamento de ansiedade, caracterizado como transtorno do pânico e faz uso de medicamentos controlados”, relatou a defesa.

“Desde junho de 2016, o requerente passa por tratamentos de quadro de “dislipidemia” e por acompanhamento “cardiológico por disfunção valvar”. Naquela época, foi detectado quadro de “refluxo gastro-esofágico” significativo, sintomas “cardiocirculatórios”, além de quadro de “ansiedade generalizada com episódios frequentes de agudização.”

Os advogados narraram ainda que em 9 de janeiro de 2018, José Yunes passou por intervenção cirúrgica para troca de valva aórtica.

“Após alta hospitalar, o Requerente continuou com sintomas de ansiedade e permanece em tratamento desde então. Sua última consulta foi há dois dias, especificamente em 27 de março de 2018”, relataram os advogados.

“Ressalte-se que a Custódia da Polícia Federal da Superintendência Regional de São Paulo informou aos advogados do Requerente que, em razão do feriado e do final de semana, José Yunes ficará incomunicável por três dias seguidos (até 02.04.2018, segunda-feira), sem poder receber seus advogados ou visitas, o que fragiliza ainda mais o cenário exposto.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOSÉ YUNES

“É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu à todos os atos para colaborar.

Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania.

José Luis Oliveira Lima”


COM A PALAVRA, A DEFESA DO CORONEL JOÃO BAPTISTA LIMA FILHO

Os advogados Cristiano Benzota e Maurício Silva Leite refutaram enfaticamente as suspeitas de envolvimento do coronel João Baptista Lima Filho no suposto esquema de favorecimento a empresas do setor portuário em troca de propinas. “O sr. João Baptista Lima Filho refuta com veemência as acusações e afirma não ter qualquer participação nos fatos apurados no inquérito.” A defesa afirma que ‘o estado de saúde do sr. Lima é muito delicado e que o seu quadro médico tem sido periodicamente informado às autoridades’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO CELSO GRECCO

O advogado Fabio Tofic, que defende Antonio Celso Grecco, disse que ainda está tentando saber os motivos da prisão do sócio da Rodrimar para depois se manifestar.

COM A PALAVRA, WAGNER ROSSI

Wagner Rossi aposentou-se há sete anos. Desde então, nunca mais atuou profissionalmente na vida pública ou privada. Também nunca mais participou de campanhas eleitorais ou teve relacionamentos políticos. Mora em Ribeirão Preto onde pode ser facilmente encontrado para qualquer tipo de esclarecimento. Nunca foi chamado a depor no caso mencionado. Portanto, são abusivas as medidas tomadas. Apesar disso, Wagner Rossi está seguro de que provará sua inocência.

Equipe Toscano Sociedade de Advogados.

COM A PALAVRA, MILTON ORTOLAN

Por mais de 40 anos, Milton Ortolan exerceu cargos públicos, sem jamais responder a qualquer ação penal. Sua prisão é absolutamente desnecessária e desprovida de suporte fático, tendo em vista que deixou o cargo que ocupava na CODESP ainda no ano de 2008, ou seja, quase dez anos antes da edição do Decreto dos Portos atualmente investigado pelas Autoridades.

Daniel Kignel

COM A PALAVRA, O GRUPO LIBRA

Procurado pelo Estado, o Grupo Libra informou que “está prestando todos os esclarecimentos à Justiça, e que uma de suas acionistas já depôs à Polícia Federal. Mais informações serão dadas após integral acesso aos documentos da investigação, o que, até o momento, não foi disponibilizado aos advogados da empresa.”

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