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Edson Aparecido

Com holerite de R$ 5.347, Edson Aparecido paga só de condomínio R$ 5.250

Por Fausto Macedo e Mateus Coutinho

26/03/2016, 05h00

   

Alvo de investigação por suposto enriquecimento ilícito na compra de apartamento de luxo em São Paulo, antigo aliado de Ackmin abriu mão de um contracheque de R$ 19.467 ao deixar Casa Civil; à Promotoria declarou que não tem outra fonte de renda, nem aplicações financeiras, nem previdência privada, nem recebeu herança, nem ganhou na loteria, nem seguro de vida

O secretário-chefe da Casa Civil Edson Aparecido (governo Geraldo Alckmin). Foto: ESTADÃO

O ex-secretário-chefe da Casa Civil Edson Aparecido (governo Geraldo Alckmin). Foto: ESTADÃO

Edson Aparecido deixou nesta sexta-feira, 25, o cargo de secretário chefe da Casa Civil do governo Alckmin (PSDB), e abriu mão de uma remuneração bruta de R$ 19.467,94, ou R$ 14.180,38 líquidos. Como não tem outra fonte de renda, nem aplicações financeiras, nem previdência privada, nem conta no exterior, nem recebeu herança, nem ganhou na loteria, nem seguro de vida – segundo ele próprio declarou ao Ministério Público do Estado -, exceto o holerite de R$ 6.177,00, ou R$ 5.347,69 líquidos, na condição de conselheiro de Administração da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A., poderá encontrar dificuldades para cobrir suas despesas pessoais a partir de agora.

Entre as contas permanentes há o condomínio de R$ 5.250,00 que desembolsa no prédio de luxo ‘Maison Charlotte’ em que reside na Rua Afonso Braz, em São Paulo.

Casado, dois filhos, Edson Aparecido respondeu na terça-feira, 22, um rol de 53 perguntas dos promotores de Justiça que o investigam por suposto enriquecimento ilícito na aquisição do apartamento do ‘Maison Charlotte’, em 2006, ao preço de R$ 620 mil, o que equivaleria, na época, a 30% do valor real. O imóvel hoje é avaliado em pelo menos R$ 2,5 milhões.

Ele é proprietário também de uma casa no Condomínio Villa de Anoman, na praia de Maresias, litoral Norte de São Paulo, e de um sítio no município de Ibiúna (SP).

Os promotores insistiram em saber sobre os rendimentos do tucano. Eles estão intrigados como o ex-secretário de Alckmin vai fazer para cobrir suas despesas pessoais. Edson Aparecido declarou a compra de dois apartamentos na Avenida Jandira, em Moema, um para cada filho – Daniel, que reside há doze anos na Austrália, e Natália, que mora em São Paulo.

Em um trecho do depoimento, os promotores perguntaram. “Possui plano de previdência privada no Brasil ou no exterior? Em caso positivo, informar em qual instituição financeira, qual o valor total já empregado e o qual valor mensal investido.”

Edson Aparecido: “Não.”

O depoimento seguiu nesse ritmo.

Promotores: “Possui seguro de vida no Brasil ou no exterior? Em caso positivo, informar qual a seguradora, o nome do corretor ou corretora, qual ou quais os beneficiários indicados, qual o valor da apólice e qual o eventual valor periódico pago.”

Edson Aparecido: “Não.”

Promotores: “É portador de cartão de crédito no Brasil ou no exterior? Em caso positivo, qual (ou quais) a (s) bandeira(s)? Qual a instituição financeira emissora dos cartões?

Edson Aparecido: “Sim, Credicard, American Express, Visa e Citi. Foram emitidos pelo Santander e Banco do Brasil, pelo que me recordo. Uso muito pouco cartões de crédito.”

Promotores: “Possui contas bancárias e/ou aplicações financeiras no Brasil ou no exterior? Em caso positivo, desde quando e em quais instituições financeiras?”

Edson Aparecido: “Atualmente só possuo conta no Banco do Brasil. Não possuo aplicações financeiras. Também não possuo conta ou aplicação financeira no exterior.”

Promotores: “Consta no Portal da Transparência Estadual[1] que Vossa Senhoria possui remuneração bruta, como Secretário de Estado, de R$ 19.467,94 e remuneração líquida de R$ 14.180,38. Consta, também, que recebe, como Conselheiro de Administração da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A., o valor bruto de R$ 6.1777,00 e líquido de R$ 5.347,69.Atualmente possui alguma outra fonte de renda além da remuneração pelo exercício das funções de Secretário de Estado e de Conselheiro de Administração da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A.?”

Edson Aparecido: “Não.”

Promotores: “Já foi ganhador de sorteio de loteria oficial no Brasil ou no exterior?”

Edson Aparecido:”Não.”

Promotores: Já recebeu bens ou valores oriundos de sucessão hereditária no Brasil ou no Exterior?

Edson Aparecido: “Não.”

Promotores: ” Desde 2006 adquiriu com recursos próprios bens móveis ou imóveis destinados e/ou registrados em nome dos filhos?”

Edson Aparecido: “Há aproximadamente doze ou quinze anos, não me recordo ao certo, adquiri com os meus recursos dois apartamentos localizados no mesmo prédio na Avenida Jandira, nº. 79, no bairro de Moema. Os apartamentos foram adquiridos mediante financiamento pago, salvo engano, por doze anos. Quero esclarecer que esses apartamentos, assim que adquiridos, foram alugados. Com os valores dos alugueis, foi possível o pagamentos das prestações do financiamento. Esses apartamentos estão registrados em nome de cada filho.

Promotores: “É proprietário ou possuidor de veículo automotor registrado em seu nome no Brasil ou no exterior?”

Edson Aparecido: “Sim, uma Pajero Sport, modelo 2008.”

Os promotores questionaram o ex-secretário de Alckmin sobre a casa de Maresias, com escritura pública lavrada em janeiro de 2009, adquirida pelo preço de R$ 550 mil. “Como tomou conhecimento da venda desse imóvel? Houve intermediação de terceiros no negócio?”

Edson Aparecido: “Era proprietário de outro imóvel na Praia de Maresias, situado num condomínio denominado ‘Vila dos Tucanos’, o qual era próximo do empreendimento que se iniciava. Por essa razão, procurei o corretor no stand de vendas, no local.”

Promotores: “Qual o meio de pagamento utilizado na compra desse imóvel (cheque, dinheiro em espécie, transferência bancária eletrônica, etc…)? O pagamento foi à vista?

Edson Aparecido: “Adquiri o imóvel pelo valor de R$ 550 mil. Dei R$ 300 mil referentes ao valor da venda da casa na ‘Vila dos Tucanos’ à Kátia Cristina Federico. O restante de R$ 250 mil paguei em parcelas diretamente à incorporadora, ao longo de quatro anos. Tenho os comprovantes de pagamento e me comprometo a apresentá-los no mesmo prazo de dez dias. Os R$ 300 mil me foram pagos pelo comprador mediante duas transferências bancárias, uma no valor de R$ 230 mil e outra no valor de R$ 70 mil.

Promotores: “Mesmo ciente de que não está obrigado e que a negativa não implica em indício ou reconhecimento de culpa, autoriza o afastamento de seus sigilos fiscal e bancário, inclusive no exterior?”

Edson Aparecido: Sim. Autorizo expressamente o afastamento de meus sigilos bancário e fiscal.”

Procurado pela reportagem nesta sexta-feira, 25, Edson Aparecido não retornou ligações nem mensagem enviada para seu celular. O espaço está aberto para as manifestações do ex-secretário da Casa Civil de Alckmin.

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