Com exames de sangue ‘muito alterados’, Ortolan também pede liberdade

Com exames de sangue ‘muito alterados’, Ortolan também pede liberdade

Braço direito do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi foi preso nesta quinta-feira, 29, na Operação Skala, e por seus advogados entregou pedido de habeas corpus no Supremo

Rafael Moraes Moura e Breno Pires/BRASÍLIA

29 Março 2018 | 17h38

Milton Ortolan. FOTO WERTHER SANTANA / ESTADÃO

A defesa do ex-secretário de Educação de Americana (SP) Milton Ortolan, preso nesta quinta-feira, 29, na Operação Skala, que pegou os amigos do presidente Michel Temer (MDB), pediu sua liberdade por meio de habeas corpus. Milton Ortolan é braço direito do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, também capturado pela Polícia Federal durante a manhã na investigação sobre o Decreto dos Portos.

Documento

“O estado de saúde do requerente (Milton Ortolan), de 69 anos de idade, inspira cuidados. Recentemente, realizou exames de sangue e ultrassom, que detectaram índices de PSA muito alterados, além de aumento das dimensões da próstata, que demandam acompanhamento médico, inclusive com suspeitas de câncer de próstata”, relatou a defesa no pedido de habeas.

Além de Ortolan e Wagner Rossi, foram presos o empresário e advogado José Yunes, o presidente da empresa Rodrimar, Antonio Celso Grecco, o coronel da PM reserva João Batista de Lima Filho, o coronel Lima.

O presidente Michel Temer (MBD) é um dos alvos da investigação e está sob suspeita de beneficiar a empresa Rodrimar na edição do decreto voltado ao setor portuário.

Segundo os advogados, ‘Milton Ortolan deixou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP) há mais de dez anos, ainda no ano de 2008, não tendo qualquer relação com a recente edição do chamado Decreto dos Portos’.

“Jamais poderia estar envolvido com um suposto esquema contínuo de concessão de benefícios públicos”, afirmou a defesa.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOSÉ YUNES

“É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu à todos os atos para colaborar.

Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania.

José Luis Oliveira Lima”


COM A PALAVRA, A DEFESA DO CORONEL JOÃO BAPTISTA LIMA FILHO

Os advogados Cristiano Benzota e Maurício Silva Leite refutaram enfaticamente as suspeitas de envolvimento do coronel João Baptista Lima Filho no suposto esquema de favorecimento a empresas do setor portuário em troca de propinas. “O sr. João Baptista Lima Filho refuta com veemência as acusações e afirma não ter qualquer participação nos fatos apurados no inquérito.” A defesa afirma que ‘o estado de saúde do sr. Lima é muito delicado e que o seu quadro médico tem sido periodicamente informado às autoridades’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO CELSO GRECCO

O advogado Fabio Tofic, que defende Antonio Celso Grecco, disse que ainda está tentando saber os motivos da prisão do sócio da Rodrimar para depois se manifestar.

COM A PALAVRA, WAGNER ROSSI

Wagner Rossi aposentou-se há sete anos. Desde então, nunca mais atuou profissionalmente na vida pública ou privada. Também nunca mais participou de campanhas eleitorais ou teve relacionamentos políticos. Mora em Ribeirão Preto onde pode ser facilmente encontrado para qualquer tipo de esclarecimento. Nunca foi chamado a depor no caso mencionado. Portanto, são abusivas as medidas tomadas. Apesar disso, Wagner Rossi está seguro de que provará sua inocência.

Equipe Toscano Sociedade de Advogados.

COM A PALAVRA, MILTON ORTOLAN

Por mais de 40 anos, Milton Ortolan exerceu cargos públicos, sem jamais responder a qualquer ação penal. Sua prisão é absolutamente desnecessária e desprovida de suporte fático, tendo em vista que deixou o cargo que ocupava na CODESP ainda no ano de 2008, ou seja, quase dez anos antes da edição do Decreto dos Portos atualmente investigado pelas Autoridades.

Daniel Kignel

COM A PALAVRA, O GRUPO LIBRA

Procurado pelo Estado, o Grupo Libra informou que “está prestando todos os esclarecimentos à Justiça, e que uma de suas acionistas já depôs à Polícia Federal. Mais informações serão dadas após integral acesso aos documentos da investigação, o que, até o momento, não foi disponibilizado aos advogados da empresa.”

Mais conteúdo sobre:

STF