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Collor recebeu de Lula ‘ascendência’ sobre a BR Distribuidora, afirma Janot

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

13/01/2016, 15h53

   

Procurador-Geral da República relata em denúncia da Lava Jato contra o deputado Vander Loubet (PT/MS) que senador obteve influência na subsidiária da Petrobrás em troca de 'apoio político à base governista no Congresso'

Os ex-presidentes Lula e Collor. Fotos: Estadão

Os ex-presidentes Lula e Collor. Fotos: Estadão

Em denúncia contra o deputado Vander Loubet (PT/MS), o procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que em 2009 o senador Fernando Collor (PTB-AL) obteve do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘ascendência’ sobre a BR Distribuidora. Segundo Janot, naquele ano, parte da subsidiária da Petrobrás ‘foi entregue’ a Collor.

Vander Loubet é acusado de ter recebido R$ 1 milhão em propina no âmbito da BR Distribuidora.

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Fernando Collor foi presidente entre 1990 e 1992, quando sofreu um impeachment. “Após o fim do período de suspensão de direitos políticos, Fernando Affonso Collor de Mello retornou à vida pública. Na condição de senador pelo Partido Trabalhista Brasileiro do Estado de Alagoas – PTB/AL, por volta do ano de 2009, em troca de apoio político à base governista no Congresso Nacional, obteve do então Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, ascendência sobre a Petrobrás Distribuidora S/A – BR Distribuidora”, afirmou o procurador.

Documento

A influência de Collor na BR Distribuidora foi levantada também pelo ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró. Delator da Operação Lava Jato, Cerveró declarou à Procuradoria-Geral da República que Collor lhe disse, em setembro de 2013, que a presidente Dilma Rousseff havia garantido ao parlamentar que ‘estavam à disposição’ dele, Collor, a presidência e todas as diretorias da BR Distribuidora. Em depoimento prestado no dia 7 de dezembro de 2015, Cerveró relatou os bastidores das indicações para cargos estratégicos na Petrobrás, principalmente na BR Distribuidora, apontada pelos investigadores como ‘cota’ pessoal de Collor.

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As declarações de Janot estão em um trecho da denúncia intitulado: Diretorias da Petrobrás Distribuidora S/A de indicação de Fernando Affonso Collor de Mello. O procurador afirmou que ‘o grande agente’ do senador era Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro do governo Collor.

“Em nome de Fernando Affonso Collor de Mello, Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos realizou os principais contatos na sociedade de economia mista, operacionalizou negócios em favor de empresas privadas, cobrou vantagens. Indevidas e a adotou de estratégias de intermediação e ocultação da origem e do destino da propina relacionada a tais contratos”, apontou Janot.

Na denúncia, o procurador-geral cita duas delações premiadas da Operação Lava Jato. Em depoimento, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa citou Fernando Collor. “Ouvia dizer que ele tinha muita influência política na BR Distribuidora”, relatou Costa.

O ex-diretor, ‘tratando do “operador particular” do parlamentar’, destacou que “sabe que Pedro Paulo Leoni Ramos também tem bastante influência na BR Distribuidora”.

O dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, afirmou em sua delação que Fernando Collor e Pedro Paulo Leoni ‘detinham a indicação política e o consequente controle de duas diretorias da BR Distribuidora’. Segundo o empreiteiro, em 2010, o “operador particular” do senador lhe disse: “nós temos uma ou duas diretorias dentro da BR Distribuidora nas quais temos
acesso e ascendência”.

COM A PALAVRA, O INSTITUTO LULA

O Instituto Lula não vai comentar.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO SENADOR FERNANDO COLLOR

O senador Fernando Collor não é acusado na referida denúncia, não é parte no mencionado processo, e, portanto, não comentará as conjecturas e especulações do Dr. Rodrigo Janot. (Dr. Rogério Marcolini – advogado do senador)

COM A PALAVRA, O DEPUTADO VANDER LOUBET

A assessoria de Vander Loubet informou que o deputado não iria comentar a acusação porque ainda não teve acesso à denúncia do procurador-geral da República e nem à delação do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

COM A PALAVRA, PEDRO PAULO LEONI RAMOS

A assessoria de imprensa de Pedro Paulo Leoni Ramos não vai se manifestar por não ter tido acesso ao teor da denúncia.

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