Código para falar de pagamentos a Cunha era ‘dar alpiste para os passarinhos’, diz delator

Código para falar de pagamentos a Cunha era ‘dar alpiste para os passarinhos’, diz delator

O diretor da J&F Ricardo Saud afirmou, em delação, que a suposta senha era utilizada pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), a mando do presidente Michel Temer, para manter pagamentos pelo silêncio do ex-parlamentar condenado na Lava Jato

Beatriz Bulla, Fabio Serapião e Fábio Fabrini

19 Maio 2017 | 21h25

Eduardo Cunha. Foto: André Dusek/Estadão

O diretor da J&F Ricardo Saud disse em delação premiada que o código para falar sobre propina ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao operador Lúcio Funaro era falar em “dar alpiste para passarinhos”.

“(…) O dinheiro do Eduardo Cunha tinha terminado e o Michel Temer sempre pedia para manter eles lá. O código era ‘tá dando alpiste pros passarinhos? Passarinhos estão tranquilos na gaiola?’ Tal. Começou com Geddel. Quando Geddel foi abatido no meio do caminho, o Joesley foi conversar com Michel Temer”, diz o delator.

O delator afirma que, na conversa com Temer, Joesley avisou que estava “acabando o alpiste” e o presidente teria dito que é “muito importante” manter. Lúcio Funaro é apontado pelos investigadores como um operador próximo a Eduardo Cunha.
Após a resposta do presidente, segundo o delator, Joesley Batista orientou o diretor da empresa a “continuar pagando mais uma ou duas aí pro Lúcio, até nós definirmos da onde vai vir esse dinheiro agora pra pagar”.

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