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Operação Lava Jato

Charles nega relação com Palocci e R$ 2 mi para campanha de Dilma

Por Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Andreza Matais, de Brasília

14/01/2016, 16h59

   

Ex-assessor da Casa Civil diz à Polícia Federal que nunca acertou propina com Fernando Baiano e Paulo Roberto Costa; delatores citaram cobrança feita por ex-ministro a ex-diretor da Petrobrás em comitê presidencial petista, em 2010

Foto de Charles Capella de Abreu, ex-assessor da Casa Civil e das campanhas presidenciais do PT em 2010 e 2014, mostrada pela PF para delator da Lava Jato / Reprodução

Foto de Charles Capella de Abreu, ex-assessor da Casa Civil e das campanhas presidenciais do PT em 2010 e 2014, mostrada pela PF para delator da Lava Jato / Reprodução

O ex-assessor da Casa Civil Charles Capella de Abreu, apontado em delação premiada como responsável pelo recebimento de R$ 2 milhões em propina para a campanha de Dilma Rousseff (PT), em 2010, negou nesta quinta-feira, 14, à Polícia Federal participação no suposto esquema e afirmou não ter tido vínculo direto com o ex-ministro Antonio Palocci durante a campanha presidencial.

“O convívio com Palocci era superficial, era de encontrar, oi e tchau, no comitê. Não tinha (relação direta). E a arrecadação não era ele, isso era competência do tesoureiro, que era o José De Filippi Junior”, afirmou a criminalista Danyelle Galvão, defensora de Charles.

DEP CHARLES 1

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“A gente mostrou que ele não foi assessor do Palocci na época dos fatos. Não era, ele não tinha relação com o Palocci”, explicou a advogada. “Ele tinha sido assessor da Marta (Suplicy, ex-PT). O (José) Dutra, ex-presidente do PT em 2010 (morto em 2015) convida o Charles para ir trabalhar na campanha, isso em março para abril. Ele vai para a campanha, é exonerado no ministério, faz a campanha, vai para o governo de transição e, no final disso, ele é convidado pelo Palocci para virar assessor. Ou seja, ele só virou assessor do Palocci em 1 de janeiro de 2011, primeiro governo da presidente Dilma.”

Delatores. Três delatores da Lava Jato disseram ter havido pagamento de propina do esquema montado na Petrobrás para a campanha de Dilma, a pedido de Palocci – todos com versões divergentes em alguns pontos. São eles, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobrás ligado ao PP, Alberto Youssef, o doleiro que operava propinas para o partido, e Fernando Baiano, lobista e operador de propinas do PMDB.

Fernando Baiano, o mais novo delator dos três, diz ter participado de uma reunião em meados de 2010, em um comitê da campanha de Dilma, com Palocci e Paulo Roberto Costa. Nesse encontro, teria sido pedido valores para a disputa presidencial e a indicação de Charles como um assessor que cuidaria do recebimento de R$ 2 milhões.

FERNANDO BAIANAO CHARLES

FERNANDO BAIANO CHARLES 2

Em uma hora de depoimento, o ex-assessor negou ter existido essa reunião em Brasília. “Ficou claro no depoimento que o Charles não conhece essas pessoas (Costa, Youssef e Baiano). A primeira vez que ele viu essas pessoas foi hoje. Ele nega reunião, encontro em hotel, qualquer recebimento de dinheiro, seja esse ou seja outro, para partido político ou candidato”,  disse a criminalista.

Comitê. A defesa levou os registros de exoneração e nomeação de Charles para mostrar falta de vínculos com Palocci. A PF quis saber qual a relação de trabalho entre os dois na campanha de 2010 . “A posição do Charles fazia parte de logística e do mobiliário do comitê. Alguém precisava de um computador, era o Charles que mandava providenciar, um local de evento, um comitê, era o Charles.” Segundo Danyelle, o papel do cliente era operacional e distante da política. “Zero político, zero assessoria política e zero assessoria de arrecadação.”

Charles foi ouvido pelo delegado Luciano Flores, da equipe da Lava Jato, em Curitiba, no inquérito que apura a cobrança e o pagamento de R$ 2 milhões em propina, a pedido de Palocci. Depois da oitiva, o ex-assessor da Casa Civil e ex-integrante da campanha de Dilma passou por duas acareações. Pela manhã foi colocado frente a frente com o doleiro Alberto Youssef e, no início da tarde, diante do operador de propinas Fernando Baiano.

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Identificação. Frente a frente com o doleiro que operava propina para o PP, Charles não foi reconhecido. “Não é”, garantiu Youssef. Peça principal da Lava Jato, o delator disse que pela foto mostrada pela PF, anteriormente, o rosto era parecido com o do homem para quem diz ter entregue R$ 2 milhões, em dinheiro vivo, em um hotel de luxo, em São Paulo, em 2010. O valor teria sido levado a pedido de Paulo Roberto Costa e, possivelmente, tenha relação com os R$ 2 milhões investigados.

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Depois de ser confrontado com o doleiro, o ex-assessor da Casa Civil foi acareado com outro de seus acusadores, o lobista Fernando Baiano. O delator apontou a cobrança de R$ 2 milhões feita por Palocci a Paulo Roberto Costa – que buscava apoio do PT para permanecer diretor de Abastecimento da Petrobrás, caso Dilma fosse eleita presidente. Costa nega o pedido direto de Palocci a ele. Diz que foi o doleiro Youssef quem solicitou esse valor de R$ 2 milhões, em nome do ex-ministro, e que a quantia foi autorizada.

Baiano, diante de Charles, disse não ter 100% de certeza para confirmar por fisionomia que a pessoa diante dele fosse aquela que participou do encontro, em Brasília, em 2010. Mas confirmou que o nome Charles foi o indicado por Palocci para o recebimento dos R$ 2 milhões.

 

 

 

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