Cerveró entregou R$ 170 mil em dinheiro vivo a delator

Cerveró entregou R$ 170 mil em dinheiro vivo a delator

Ex-diretor de Internacional da Petrobrás pediu a Fernando Baiano que encontrasse carro de luxo para presentear a mulher, em 2012; 'tinha de ser da cor vermelha'

Julia Affonso, Andreza Matais, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

21 Outubro 2015 | 21h04

Nestor Cerveró e Fernando Baiano. Fotos: Estadão e AGB

Nestor Cerveró e Fernando Baiano. Fotos: Estadão e AGB

O lobista Fernando Baiano, apontado como operador de propinas do PMDB, contou em delação premiada que, em 2012, foi procurado pelo então diretor de área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró que lhe pediu uma Ranger Rover Evoque para ‘presentear a esposa’. A cor do carro de luxo ‘tinha que ser vermelha’, insistiu Cerveró, segundo o delator. A Range Rover, acrescida de blindagem, custou entre R$ 220 mil e R$ 230 mil. Baiano pagou e, cerca de 30 dias depois, foi reembolsado parcialmente – Cerveró devolveu R$ 170 mil em dinheiro vivo.

“Que uns trinta dias depois, ou mais, Nestor Cerveró ressarciu o depoente, entregando- lhe os valores em espécie, em reais. no mesmo montante dos que foram entregues à concessionária”, registra a Procuradoria, no depoimento de Baiano.

O delator afirmou que a ‘entrega dos valores em espécie’ ocorreu na residência do então diretor da Petrobrás, no Rio. Fernando Baiano e Cerveró estão presos em Curitiba, base da Operação Lava Jato. Eles foram condenados, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, pelo juiz federal Sérgio Moro. O ex-diretor da estatal petrolífera pegou 12 anos e três meses de prisão. Baiano, 16 anos e um mês.

Fernando Baiano fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Quando pediu a Baiano que providenciasse uma Range Rover para dar à mulher, que faria aniversário, Cerveró teria alegado ao lobista que já tinha procurado aquele modelo em duas concessionárias no Rio, ‘sem sucesso’. Baiano tinha um carro da mesma marca, por isso Cerveró pediu ajuda para encontrar o veículo. O lobista disse, em sua delação, que o modelo tinha sido lançado havia pouco tempo e ‘a procura por ele era grande’. “Havia dificuldade em encontrar o veículo. principalmente na cor pretendida por Nestor Cerveró”, disse Fernando Baiano.

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“Na ocasião, (Cerveró) disse ao depoente (Baiano) que uma parte do preço do automóvel seria paga por meio de transferência bancária, acreditando que fosse da conta dele (Cerveró), e outra parte seria paga com valores em espécie”, contou o delator.

Segundo Fernando Baiano, o dirigente da estatal lhe perguntou ‘se poderia providenciar o transporte dos valores em espécie para São Paulo, para ser entregue na concessionária’.

Fernando Baiano disse a Cerveró que ‘tinha um contato’ na concessionária Autostar Comercial e Importadora, em São Paulo, ‘onde sempre comprou seus veículos, desde 2008 ou 2009’. Este ‘contato’ de Baiano disse a ele que poderia obter o carro ‘se não houvesse preferência de cor, que no caso do modelo vermelho seria necessário um prazo maior, em torno de sessenta dias’.