‘Celebrou-se pacto oligárquico de saque ao Estado brasileiro’, afirma Barroso

‘Celebrou-se pacto oligárquico de saque ao Estado brasileiro’, afirma Barroso

Ministro do Supremo que mandou prender amigos e aliados do presidente Temer na Operação Skala fez declaração durante participação no Forum da ONU sobre Segurança Humana, em São Paulo, nesta segunda-feira, 2

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

02 Abril 2018 | 16h27

Luis Roberto Barroso. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso afirmou, nesta segunda-feira, 2, durante Fórum da ONU sobre Segurança Humana, em São Paulo, que agentes do Estado, empresários e políticos firmaram um ‘pacto oligárquico de saque ao Estado brasileiro’.

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O ministro fez a declaração ainda em meio a impacto da Operação Skala, deflagrada pela Polícia Federal por sua determinação na quinta-feira, 29, que prende amigos e antigos aliados do presidente Michel Temer, como o advogado e empresário José Yunes e o coronel da reserva da PM João Batista Lima Filho.

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Durante o evento, Barroso defendeu a ideia de que ‘talvez, até hoje’, exista um ‘modelo padrão de fazer política e negócios’ no Brasil que envolve corrupção e superfaturamento de contratos públicos.

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“O agente político relevante indicava o dirigente de Ministério ou da empresa estatal com metas de desvio de dinheiro. O dirigente da empresa estatal contratava por licitação fraudada a empresa que seria parceira no esquema de desvio de dinheiro. A empresa parceira superfaturava os preços para gerar o excedente de caixa que seria distribuído para o agente político que nomeou o dirigente estatal e seus correligionários”.

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“A minha análise é de que celebrou-se de longa data, e com renovação constante, um pacto oligárquico de saque ao Estado brasileiro celebrado entre parte da classe política, parte da classe empresarial e parte da burocracia estatal”, afirmou o ministro.

Para Barroso, ‘o fenômeno não é novo, mas a percepção dele é mais recente e muito aguda’.

“O Brasil, nos últimos tempos, se deu conta de que nós vivenciávamos uma uma corrupção que era sistêmica, endêmica. Não era produto de falhas individuais, de pequenas fraquezas humanas, era o programa, um modo de conduzir o país com um nível de contágio espantoso, que envolvia empresas públicas, privadas, agentes públicos, privados, membros do congresso, do executivo, da iniciativa privada. Foi espantoso o que aconteceu no Brasil”, disse.

O ministro, no entanto, vê uma reação à onda corrupta que vive o país. “Nós estamos fazendo um esforço no Brasil para tomá-lo das mãos das elites extrativistas e devolvê-lo à sociedade para que as pessoas se sintam livres, iguais, participantes, e possam confiar umas nas outras”.

Barroso ainda disse que a corrupção ‘atrasa o processo de distribuição de renda’, ‘prejudica a qualidade dos serviços públicos’ e ‘faz a vida ser pior’.