Cartel de empreiteiros usou contrainteligência para driblar Lava Jato

Procuradores da força-tarefa que investiga corrupção na Petrobrás afirmam que executivos foram 'profissionais' na aplicação de 'técnicas a fim de garantir sua impunidade'

Redação

13 Junho 2015 | 05h00

Por Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A força-tarefa da Operação Lava Jato afirma que os empreiteiros acusados de formarem cartel para se apossar de contratos bilionários na Petrobrás usaram tática de contrainteligência para evitar rastreamento dos órgãos de fiscalização.

Força-tarefa da Lava Jato. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Força-tarefa da Lava Jato. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

No documento de alegações finais anexado ao processo contra a cúpula da Mendes Júnior, nove procuradores da República que integram a força-tarefa afirmam que “a análise dos fatos engloba a existência de um cartel que se relacionava de forma espúria com diretorias da maior estatal do país por mecanismo de corrupção que era praticado com elevado grau de sofisticação, envolvendo a realização de acordo prévio e genérico de corrupção que posteriormente era concretizado em situações específicas com a utilização de diversos e velados mecanismos”.

LEIA ÍNTEGRA DAS ALEGAÇÕES FINAIS DO MPF   PDF

Nessas alegações finais, a força-tarefa pediu a condenação de cinco executivos da Mendes Júnior e de outros alvos da investigação a mais de 30 anos de prisão, mesma punição requerida para os empresários da OAS.

A investigação da Polícia Federal revelou “encontros e trocas de mensagens pelas mais diversas formas, recurso a intermediários, prática de atos funcionais aparentemente lícitos, celebração de contratos ideologicamente falsos,entrega de dinheiro em espécie, operações de compensação”.

“O ponto aqui é que disso tudo flui que os crimes perpetrados pelos investigados são de difícil prova”, destacam os procuradores. “Isso não é apenas um ‘fruto do acaso’, mas sim da profissionalização de sua prática e de cuidados deliberadamente empregados pelos réus.”

Para eles, “ficou bastante claro que os envolvidos buscavam, a todo momento, aplicar técnicas de contrainteligência a fim de garantir sua impunidade em caso de identificação pelos órgãos de repressão penal do Estado”.

Os procuradores citam exemplos dos expedientes usados pelos empreiteiros do cartel – a frequente utilização de códigos em conversas telefônicas e telemáticas, o registro documental de atividade ilícitas de forma dissimulada – “como são prova as anotações referentes às atividades do cartel na forma de campeonato esportivo ou mesmo de ‘bingo'” -, as anotações em agendas de códigos e iniciais de nomes de modo cifrado, e a atuação conjunta entre os denunciados relacionados a diferentes empreiteiras, inclusive com aparente conhecimento prévio dos futuros passos da investigação policial.”

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