Politica

OPERAçãO LAVA JATO

Carregador de malas de Youssef diz ter levado R$ 300 mil a Collor

Carlos Alexandre de Souza Rocha afirmou em delação premiada que foi até Maceió entregar dinheiro em 30 pacotes de R$ 100,00; na volta, soube por doleiro da Lava jato que dinheiro era para ex-presidente

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FAUSTO MACEDO, RICARDO BRANDT E BEATRTIZ BULLA, DE BRASÍLIA

01 Janeiro 2016 | 12h00

COLLOR1     BSB  DF  NACIONAL  02/03/2015 FERNANDO COLLOR/REFORMA POLITICA  O senador, Fernando Collor (PTB AL), discursa da tribuna do plenario do Senado sobre proposta de Reforma Politica, no Senado Federal.Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

O senador Fernando Collor (PTB-AL), ex-presidente da República, alvo da Lava Jato/ Foto: Dida Sampaio/Estadão

O doleiro Carlos Alexandre de Souza Rocha, carregador de dinheiro de Alberto Youssef, afirmou à força-tarefa da Operação Lava Jato que em 2014 levou R$ 300 mil para o ex-presidente da República e atual senador, Fernando Collor de Mello (PTB-AL), em pacotes de notas de R$ 100,00. Novo delator da Operação Lava Jato, Ceará – como é conhecido – citou outras entregas de valores para Collor e para seu ex-ministro e atual dono do Grupo GPI Investimentos, Pedro Paulo Leoni, o PP.

“No final de janeiro de 2014, Alberto Youssef solicitou que o declarante (Ceará) transportasse R$
300 mil para Maceió”, contou o delator, em depoimento à Procuradoria Geral da República. “Levou trinta pacotes de notas de R$ 100,00.”

O montante deveria ser entregue a outro carregador de dinheiro de Youssef, Rafael Ângulo Lopez – que também fez acordo de delação premiada com a Lava Jato. “No café da manhã se encontrou com Rafael Ângulo Lopez , que estava acompanhado de outra pessoa que não conhecia e do qual não se recorda o nome.” O delator diz que Lopez contou que o total da entrega era de R$ 900 mil.” Ele não quis dizer quem era o beneficiário.

COLLOR DESTAQUE

Foi só quando voltou para São Paulo que Ceará revelou ter ouvido de Youssef que o dinheiro era para Collor. O motivo da descoberta foi uma reclamação. “Ele (Youssef) comentou com o declarante (Ceará) que tinha recebido uma reclamação porque Rafael Ângulo Lopez tinha chamado Fernando Collor de Mello de ‘velho e gordo’.”

Collor é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) desde março, quando foram abertos as primeiras investigações pela PGR envolvendo políticos como alvos da Lava Jato. A delação de Ceará é de junho, mas foi tornada pública esta semana.

O delator afirmou aos procuradores ter dito a Youssef: “Ah, então o dinheiro de Maceió foi para Collor!”. “Alberto Youssef confirmou que sim, que era para Fernando Collor de Mello.”

É o segundo carregador de malas de Youssef a fazer delação e confirmar que Collor recebia dinheiro vivo do esquema de corrupção, alvo da Lava Jato. O próprio Rafael Ângulo Lopez disse em seu depoimento que entregou dinheiro vivo para o senador. Citou um episódio em que levou ao apartamento do ex-presidente em São Paulo R$ 60 mil em notas de R$ 100,00 e o pagamento de faturas do cartão de crédito de Collor.

Ceará, o novo delator, citou essa entrega. “Soube de uma entrega de dinheiro em espécie a Fernando Collor em São Paulo; essa entrega foi feita por Rafael Angulo Lopez”, contou à PGR. “Ficou sabendo do fato por meio de Youssef.”

Amigo. O carregador de malas de dinheiro de Youssef também apontou o envolvimento do ex-ministro do governo Collor Pedro Paulo Leoni com o esquema de propinas. Ele disse ter ouvido do ex-chefe que Pedro Paulo “era muito amigo” de Collor e que chegou a levar três vezes dinheiro em uma empresa de água do ex-ministro em Itapema (SC). “Essas entregas envolviam valores altos. A última entrega foi no valor de R$ 380 mil.”

Collor foi procurado, por meio de sua assessoria, mas não foi localizado. O senador tem negado envolvimento com Youssef e o esquema de corrupção na Petrobrás. Pedro Paulo não foi localizado para comentar o assunto.

LEIA A ÍNTEGRA DO TERMO 8 DA DELAÇÃO SOBRE COLLOR

COLLOR 1

COLLOR 2

COLLOR 3

COLLOR 4

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