Cármen pede ‘dia da pátria sem novidades maiores no país’

Cármen pede ‘dia da pátria sem novidades maiores no país’

Ministra presidente do Supremo Tribunal Federal declarou encerrada sessão Plenária desta quarta-feira, 6 com apelo após reviravolta do caso JBS

Breno Pires e Rafael Moraes Moura, de Brasília

06 Setembro 2017 | 17h26

Ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foto: Gláucio Dettmar

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, encerrou a sessão plenária da Corte desta quarta-feira, 6, com um apelo. “Desejo a todos um excelente Dia da Pátria e um ótimo fim de semana, se Deus quiser, sem novidades maiores no País.”

A declaração vem em meio à repercussão de áudio entregue por acidente por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República em anexo complementar sobre o senador Ciro Nogueira (PP).

Na gravação, Joesley Batista e Ricardo Saud falam sobre supostos benefícios que o ex-procurador Marcelo Miller estaria garantindo no âmbito de acordo entre os delatores.

Na conversa gravada, Joesley e Saud mencionam ainda um tal ‘Zé’ que teria ‘cinco ministros do Supremo Tribunal Federal nas mãos’.  “Sabe que se nós entregar o Zé, nós entrega o Supremo”.

“Falei pro Marcelo: ‘Marcelo, você quer pegar o Supremo? Entrega o Zé. O Zé entrega o Supremo. Não, que isso, não aguenta meia hora.”.

Nesta terça-feira, 5, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, gravou vídeo no qual exigiu investigação imediata sobre a menção a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Na sessão desta quarta-feira, 06, o decano da Corte, Celso de Mello, pediu ‘transparência’ na apuração sobre o conteúdo do áudio e o ministro Luiz Fux chegou a sugerir que Joesley ‘deixe o exílio nova-iorquino e vá para o exílio da Papuda’. Três ministros da Corte declararam que, apesar da possível revisão do acordo, as provas entregues pelos delatores não devem ser anuladas.

O conteúdo do diálogo está sob investigação que pode culminar com a rescisão dos acordos de colaboração dos delatores.

Miller. O advogado Marcelo Miller integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato e atuou nas delações do ex-senador Delcídio do Amaral e  do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Após deixar o Ministério Público Federal, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e integrou o time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F.

Janot pediu abertura de inquérito sobre a possível omissão de crimes pelos delatores e para investigar a menção ao ex-procurador da República.

Segundo o chefe do Ministério Público Federal, a investigação pode culminar com a anulação do acordo da JBS, mas está fora de cogitação anular as provas entregues pelos executivos.