Cármen está disposta a levar julgamento de Lula noite adentro

Cármen está disposta a levar julgamento de Lula noite adentro

Previsão é de que os votos sejam extensos e há possibilidade de o resultado só ser proclamado na sessão desta quinta-feira, 5; fala do general Eduardo Villas Bôas causou desconforto entre os ministros

Rafael Moraes Moura, Amanda Pupo, Breno Pires, Teo Cury e Julia Lindner/BRASÍLIA

04 Abril 2018 | 14h06

Presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

BRASÍLIA – A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, está disposta, se necessário, a levar noite adentro a sessão plenária desta quarta-feira (4) que vai julgar o habeas corpus preventivo impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista quer aguardar em liberdade até o esgotamento de todos os recursos no caso do triplex do Guarujá (SP), ou pelo menos até uma decisão final do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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Dentro do STF, a expectativa é de que a sessão seja longa, com votos extensos proferidos pelos ministros e a possibilidade de o resultado só ser proclamado na sessão desta quinta-feira (5). Conforme antecipou o Broadcast Político, o ministro Gilmar Mendes já avisou Cármen que vai antecipar a leitura do voto, já que pretende embarcar de volta para Portugal ainda nesta quarta-feira.

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Cármen já cancelou a sessão administrativa que estava programada para as 18h desta quarta-feira, em que seriam discutidos assuntos internos da Corte – essa sessão foi remarcada para a próxima semana.

A presidente do Supremo quer prioridade máxima na conclusão do caso do Lula. Dentro da Corte, a avaliação é de que o adiamento do julgamento, ampliado com o feriado de Páscoa, deu fôlego para a mobilização de setores, aumentou ainda mais a pressão sobre a Corte e desgastou a imagem dos ministros perante a opinião pública.

Ao chegar para a sessão plenária, o ministro Edson Fachin afirmou nesta quarta-feira esperar que o julgamento termine na sessão de hoje. Um outro ministro ouvido reservadamente disse que ninguém no STF aguentaria mais uma semana com essa indefinição.

EXÉRCITO. No STF, causaram desconforto as declarações do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que manifestou nesta terça-feira, por meio do Twitter, o “repúdio” da Força à impunidade. “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”, escreveu o general.