‘Calar procurador da Lava Jato é impor mordaça’

‘Calar procurador da Lava Jato é impor mordaça’

Em memorial de 27 páginas ao Conselho Nacional do Ministério Público, principal entidade dos procuradores da República em todo o País repudia taxativamente procedimento contra Carlos Fernando dos Santos Lima que, em sua página no Facebook, disse que presidente Temer é 'leviano'

Julia Affonso

15 Maio 2018 | 16h15

Carlos Fernando dos Santos Lima. Foto: Pedro Filho/EFE

No documento entregue ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) afirma que calar o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato, ‘é impor mordaça a todos os membros do Ministério Público brasileiro’. O CNMP julga nesta terça-feira, 15, um processo disciplinar contra Carlos Fernando.

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No ano passado, em seu Facebook, o procurador afirmou que o presidente Michel Temer (MDB) era ‘leviano’. Na ocasião, o procurador-geral da República era Rodrigo Janot.

O memorial da ANPR tem 27 páginas. “Calá-lo é impor mordaça a todos os membros do Ministério Público brasileiro. Silenciar a livre expressão do pensamento seja de quem for impede a evolução das ideias e contribui para sedimentação de vícios”, afirma a ANPR.

“Ao chamar a atenção de todos os cidadãos para os terríveis males que a corrupção representa para o País e para os direitos do povo, o procurador Santos Lima também exerce atividade absolutamente compatível com as funções que desempenha no sistema de Justiça brasileira.”

A mais importante associação de procuradores do País destaca, no memorial, que ‘o Ministério Público não fala apenas nos autos’.

“Deve defender suas opiniões oficiais nos vários ambientes de debate público, eis que todos eles são legítimos conforme a Constituição e são também necessários à promoção do bem comum e da Justiça. Opiniões são ouvidas pelos membros do Parlamento e merecem a reflexão dos demais integrantes dos poderes da República. Opiniões são consideradas pelos cidadãos que têm nessas autoridades seus servidores, as quais lhe devem contas dos seus fazeres e afazeres”, registra a entidade dos procuradores.