Bombom do delegado da PF vira ‘Operação Sonho de Valsa’ nas redes

Bombom do delegado da PF vira ‘Operação Sonho de Valsa’ nas redes

Ganhou repercussão nacional o caso da faxineira de 32 anos e quatro filhos que comeu guloseima do corregedor da Polícia Federal em Roraima e tornou-se alvo de um procedimento

Julia Affonso e Fausto Macedo

13 Outubro 2015 | 17h05

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Foto: Reprodução/Twitter

O caso do bombom do delegado Agostinho Cascardo, corregedor da Polícia Federal em Roraima, virou a ‘Operação Sonho de Valsa’ nas redes. Na semana passada, uma faxineira de 32 anos e quatro filhos para criar, foi alvo de um procedimento da PF porque comeu o chocolate que estava na mesa do delegado.


O caso ocorreu no dia 30 de setembro. Câmeras de segurança interna do prédio da PF registraram o momento em que a faxineira comia a guloseima de Agostinho Cascardo.

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Foto: Reprodução/Twitter

Nas redes sociais, internautas falam em arrecadar caixas de bombons para dar ao delegado. O nome ‘Operação Sonho de Valsa’ foi criado em alusão às missões espetaculares que marcam a rotina da Polícia Federal em todo o País.

Faxineira de uma empresa terceirizada que presta serviços na sede regional da PF em Boa Vista, a mulher está ‘bastante assustada, envergonhada’, segundo o presidente da OAB no Estado, Jorge Fraxe. A entidade pediu à PF cópia do procedimento que teria sido instaurado contra a faxineira. Na OAB, onde pediu apoio, ela disse que pegou e comeu apenas um bombom da caixa que estava na mesa do delegado.

A mulher afirma que ‘não agiu com a intenção de cometer furto e jamais pensou que pudesse ser processada por algo tão insignificante’.

A Associação Nacional dos Delegados da PF em Roraima informou que não foi aberto inquérito contra ela. A entidade destacou, ainda, que a faxineira não foi autuada em flagrante.

O presidente da Ordem em Roraima, Jorge Fraxe, que decidiu prestar apoio à faxineira, mandou ofício à PF pedindo cópia do procedimento. “Como resposta, recebi a informação de que nada existe com relação à faxineira. Por isso, vou oficiar ao Ministério Público Federal solicitando o que tiver de documento sobre o caso. A OAB precisa de algo oficial para dar início aos trabalhos.”
Sobre a ‘Operação Sonho de Valsa’, criada nas redes sociais, o líder dos advogados de Roraima observou. “Desde a hora que o caso foi divulgado formou-se essa avalanche nas redes. É muito típico do nosso povo, uma brincadeira sobre aquilo que é muito sério. Fico muito preocupado. A Polícia Federal é o artífice, o ator principal do desvendamento do maior caso de corrupção no mundo, a Operação Lava Jato. Não pode, de repente, se ver envolvida por um bombom. Isso me preocupa.”

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