Barusco diz acreditar que mochila de Vaccari carregava dinheiro

Barusco diz acreditar que mochila de Vaccari carregava dinheiro

Peça inseparável rendeu a ex-tesoureiro do PT condinome "Moch" no registro de contabilidade da propina, declarou ex-gerente da Petrobrás a juiz da Lava Jato

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Mateus Coutinho e Julia Affonso

29 Outubro 2015 | 21h04

Vaccari depôs coercitivamente em fevereiro na sede da PF em São Paulo. Foto: Felipe Rau/ Estadão - 05/02/2015

Vaccari depôs coercitivamente em fevereiro na sede da PF em São Paulo, em fevereiro. Foto: Felipe Rau/ Estadão – 05/02/2015

O ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco e delator da Lava Jato afirmou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto tinha atuação direta na divisão de propinas arrecadada na Diretoria de Serviços da estatal, cota do partido no esquema de corrupção e cartel alvo da Operação Lava Jato. Seu apelido nos registros dos desvios eram “Moch”.

“A parte do PT, mais recentemente, depois que o doutor Vaccari assumiu a tesouraria do PT, ele recebia. Antes eu não sei quem era, porque falava partido, partido, partido”, afirmou Barusco.

VEJA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE BARUSCO NESTA TARDE:


Ele foi interrogado como réu no processo contra o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e executivos do grupo por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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Barusco explicou que passou a tomar conhecimento de detalhes da propina repassada ao PT quando teve contato com Vaccari. Os primeiros foram por troca de bilhetes. “Depois fazendo reunião pessoalmente com ele eu sabia que era ele que recebia.”

Espécie de contador informal da propina da Diretoria de Serviços, Barusco surpreendeu os investigadores ao longo das investigações pelo detalhamento de registros que fez. Ele aceitou devolver espontaneamente US$ 97 milhões, valor da propina que recebeu, segundo sua própria confissão. O delator foi questionado qual era o codinome usado por ele para identificar Vaccari.

“É Moch”, respondeu.

“Por qual motivo?”, insistiu o procurador da República que participou da audiência na Justiça Federal no Paraná.

“Porque ele andava sempre com uma mochila.”

O procurador quis saber para que Vaccari usava a mochila.

“Eu não sei, mas a gente achava que era para carregar dinheiro.”

A mochila foi apreendida com Vaccari em março, quando foi detido pela Lava Jato em sua residência, em São Paulo. A mala estava com um caderno quase em branco, uma agenda sem telefones, sem qualquer elemento de interesse da Polícia Federal.

Pedro Barusco afirmou ao juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato em primeira instância – que o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque e João Vaccari faziam reuniões frequentes para discutir contratos da Petrobrás.

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