Barroso x Gilmar

Barroso x Gilmar

Leia a íntegra do novo embate entre os ministros do Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, 21

Téo Cury, Amanda Pupo e Breno Pires

21 Março 2018 | 17h20

Gilmar Mendes e Luis Roberto Barroso. Fotos: Nelson Jr/SCO/STF

Brasília, 21/03/2018 – O bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que culminou com a suspensão da sessão pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, começou durante a defesa de um voto de Gilmar na sessão que deveria votar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre doações ocultas de campanha eleitoral.

Leia a íntegra do debate entre os ministros:

Gilmar: Peguem os números do TSE em 2016. Nem é preciso fazer isso. Estamos na pré-campanha, quem está financiando essa gente? Lula com aviãozinho lá em Bagé. De onde que está vindo esse dinheiro? Bolsonaro no Brasil todo, discutimos isso no TSE esses dias. Quem está financiando? Não começou a campanha eleitoral. Estamos querendo enganar quem? Vou dar os números: 730 mil doadores, ministra Cármen, presidente, na doação para eleições de 2016, eleição municipal, modesta. Trezentos e cinquenta mil sem capacidade financeira. É o maior laranjal do mundo. Produzimos isso e assumamos a nossa responsabilidade. E esperem as eleições de 2018. Assumamos as nossas responsabilidades. Portanto, tomemos um cuidado. Pelo menos, vamos ler a Constituição e dizer “de fato estou declarando inconstitucional não porque eu gosto, o direito do ‘eu acho que’. O acho que é o direito do achado na rua. Eu acho o quê? Eu acho o que eu quiser”. Ache na Constituição: “Ah, eu quero mudar, tenho vocação para mudança.” Mude para o Congresso, consiga voto.” “Ah, eu sou iluminado.” Talvez faça viagem para o céu, comece uma viagem espacial. “Minha função é iluminar.” Quem sabe tenhamos alguém faltando no sistema solar. Temos uma grande responsabilidade institucional, presidente. O sistema ficou pior. E pior, sem condições de corrigir. Então é preciso ter muito cuidado. é o que eu disse na semana passada. Já temos nossas mãos queimadas, nossas intervenções no processo eleitoral deram errado a partir da questão da cláusula de barreira. Muito ruins. A explosão partidária tem a ver com a decisão que nós produzimos, a tal da portabilidade também. Então vejam a consequência desse tipo de situação. Já disse no meu voto, me parece inconstitucional, mas tem que haver transparência. Mas é claro que continua a haver graves problemas. É preciso que a gente denuncie isso. Que a gente anteveja esse tipo de manobra. Porque não se pode fazer isso com o Supremo Tribunal Federal. “Ah, agora vou dar uma de esperto e vou conseguir a decisão do aborto”. De preferência na turma com três ministros, aí a gente faz um dois a um.

Barroso: Me deixa de fora desse seu mau sentimento. Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia. Isso não tem nada a ver o que está sendo julgado. É um absurdo vossa excelência aqui fazer um comício cheio de ofensas, grosserias. Vossa excelência não consegue articular um argumento. Já ofendeu a presidente, já ofendeu o ministro Fux e agora chegou a mim. A vida para vossa excelência é ofender as pessoas. Não tem nenhuma ideia. Nenhuma. Nenhuma. Só ofende as pessoas. Ofende as pessoas. Qual é a sua ideia? Qual é a sua proposta? Nenhuma. Nenhuma. É bílis, ódio, mau sentimento. É uma coisa horrível. Vossa excelência nos envergonha. Vossa excelência é uma desonra para o tribunal. Uma desonra para todos nós, um temperamento agressivo, grosseiro, rude. É péssimo isso. Vossa excelência sozinho desmoraliza o tribunal. É muito ruim,

Cármen Lúcia: Senhores ministros…

Barroso: é muito penoso para todos nós termos de conviver com Vossa Excelência. Não tem ideia, não tem patriotismo, está sempre atrás de algum interesse que não é o da Justiça.

Cármen Lúcia: Senhores ministros, eu vou suspender a sessão.

Barroso: Uma coisa horrorosa, uma vergonha, um constrangimento. É muito feio, isso é um Supremo Tribunal Federal.

Cármen Lúcia: Senhores ministros, está suspensa a sessão por período regimental.

Gilmar: Presidente, estou com a palavra e continuo. Eu continuo com a palavra e continuo. Presidente, eu vou recomendar ao ministro Barroso que feche seu escritório de advocacia.

Cármen Lúcia: Está suspensa a sessão.