Associação pede medidas de ‘proteção’ à PF

Em reação à troca no comando, a Associação dos Delegados da Polícia Federal pediu para que seja aprovada autonomia da corporação e que nomes de diretores-gerais sejam escolhidos pela categoria e oferecidos à Presidência da República

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fabio Serapião

27 Fevereiro 2018 | 21h24

Em reação à troca de comando na PF, a Associação dos Delegados da Polícia Federal afirmou que é momento de ‘refletir’ sobre medidas pela ‘estabilidade e proteção’ da corporação. A entidade diz ser fundamental que o Congresso aprove projeto que dá autonomia administrativa e que a nomeação de diretor-geral passe pelos delegados.

Rogério Galloro vai assumir a cadeira número 1 da PF em substituição ao delegado Fernando Segovia, que teve vida curta no cargo, menos de quatro meses. Cercado de polêmicas, o apadrinhado do ex-senador José Sarney (MDB/AP) tomou posse no dia 20 de janeiro, mas caiu nesta terça-feira, 27, por ordem do ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Em sua primeira entrevista coletiva, quando assumiu o cargo, Segovia questionou se ‘uma única mala’ teria ‘toda a materialidade’ para resolver se ‘havia ou não crime’, em referência à mala dos R$ 500 mil entregue por delatores da J&F ao ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures.

O ex-diretor da PF, no entanto, se viu mais abalado no cargo após entrevista à Reuters em que disse entender que não há indícios contra o presidente no inquérito sobre o Decreto dos Portos.

Para a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal – ADPF, ‘o novo Diretor Geral da Polícia Federal, Delegado Rogério Galloro, com mais de 22 anos de experiência no exercício do cargo, reúne todas condições técnicas para desempenhar com eficiência o comando da instituição’.

“Entretanto, o momento impõe à toda sociedade uma importante reflexão: As trocas no comando demonstram a necessidade urgente da aprovação de mecanismos legais que confiram previsibilidade, estabilidade e proteção à Polícia Federal”, afirma.

Segundo a entidade, ‘é fundamental a aprovação, pelo Congresso Nacional, de mandato para o cargo de Diretor-Geral e a sua nomeação com base em uma lista formada por quadros técnicos de carreira, escolhidos por delegados, a fim de oferecer ao presidente da República nomes qualificados para conduzir uma das mais respeitadas instituições brasileiras’. “É essencial também que os parlamentares aprovem rapidamente a proposta que estabelece autonomia administrativa, orçamentaria e financeira à Polícia Federal”.

“Essas medidas formam o sistema de proteção da Polícia Federal, garantindo a continuidade de suas ações de combate ao crime organizado e à corrupção”, conclui.