Ao longo dos tempos criou-se dificuldade para vender facilidade…

Paulino Brancato Neto*

20 Setembro 2017 | 04h30

Muito se tem dito a respeito da corrupção e são inúmeras as explicações para esse tal “fenômeno” tupiniquim. Alguns atribuem à nossa colonização, outros a características genéticas, alguns até às nossas religiões, mas na verdade ninguém sabe ao certo.

O que é certo é que não se trata de um problema exclusivamente brasileiro, mas algo que atinge todos os países em maior ou menor escala.

O que nos faz pensar é por que ela se alastrou em todas as áreas e em todos os níveis?

Acredito, particularmente, que um dos fatores de tamanha corrupção no Brasil são as dificuldades e obstáculos que afligem o nosso cotidiano. O Brasil foi se tornando ao longo dos tempos cada vez mais difícil de viver. Vivemos num lugar em que tudo é difícil, até as coisas simples do dia a dia são complexas, trabalhosas.

Trabalhar é difícil, empreender é difícil, admitir um funcionário é complicado, demitir mais ainda, comprar, vender, pagar impostos, tudo, sem exceção é trabalhoso, demorado e difícil.

Neste país, viver sem dinheiro é muito trabalhoso, sofrido, custoso, muitas vezes até doloroso…

Quem sabe essa seja essa uma das razões para que as pessoas cedam à corrupção com mais facilidade. Num primeiro momento a consciência rejeita, mas aos poucos a possibilidade de uma vida mais fácil, mais “digna” até, torna-se tão tentadora que o indivíduo acaba cedendo. Às vezes não é o luxo, a ostentação, a riqueza que incentivam o desvio de conduta, mas a possibilidade de uma vida tranquila!

É claro que assim como a droga, uma vez iniciado o caminho raramente se consegue retornar. Evidente que muitas pessoas se seduzem mesmo pela riqueza e pelo poder do dinheiro, estas, todos os países as têm e em igual número. O ser humano é igual em qualquer lugar, mas certamente numa sociedade em que as coisas básicas, essenciais são extremamente difíceis, quase inatingíveis, a necessidade de se ter dinheiro se transforma numa justificativa moral (erroneamente é claro) para o cometimento de algum delito.

Nada justifica a corrupção ou a desonestidade. Apenas levantamos mais um ponto sobre esse “fenômeno” brasileiro para que nossas ações no combate à corrupção sejam mais eficientes.

Sendo assim, parece-nos que além de leis mais severas e de uma justiça rápida, precisamos de um país mais simples, inteligente e que atenda às necessidades de seu povo. Um povo satisfeito não cederia com tanta facilidade a esse tipo de tentação.

*Advogado, especialista em direito empresarial e responsável pela área de Saúde e Previdência Complementar do Leite, Tosto e Barros Advogados

Mais conteúdo sobre:

Artigo