‘Amanhã tem pescaria no Lago’

‘Amanhã tem pescaria no Lago’

Força-tarefa da Operação Lava Jato entrega ao juiz federal Sérgio Moro mensagens entre André Gustavo Vieira da Silva, que confessou operar propinas ao ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine, e o executivo da Odebrecht Fernando Reis; diálogos são apontados como tratativas sobre os repasses

Luiz Vassallo

28 Novembro 2017 | 05h00

A força-tarefa da Operação Lava Jato entregou ao juiz federal Sérgio Moro, nesta segunda-feira, 27, mensagens entre mensagens entre André Gustavo Vieira da Silva, que confessou operar propinas ao ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine, e o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis. Os diálogos, segundo o Ministério Público Federal, revelam tratativas sobre vantagens indevidas. O conteúdo consta em celular do executivo da empreiteira, que passou por perícia.

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‘Amanhã tem pescaria no Lago’, disse Fernando Reis a André Gustavo, por meio de mensagem no Whatsapp. A data da conversa é 23 de junho de 2015, um dia antes de o taxista Marcelo Marques Casimiro admitir que pegou uma ‘encomenda’ para André Gustavo e deixá-la em uma apartamento por ele indicado. A senha para receber o pacote era ‘Rio’. Em outras duas datas, Casimiro teve de dizer ‘Lagoa’ e ‘Oceano’ a representantes da Odebrecht.

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Aldemir Bendine foi preso no dia 27 de julho, alvo da Operação Cobra, 42ª fase da Operação Lava Jato, e foi denunciado por supostas propinas de R$ 3 milhões da Odebrecht. André Gustavo Vieira da Silva foi apontado como operador do repasse ao ex-presidente da Petrobrás.

De acordo com os delatores da empreiteira, inicialmente, enquanto presidente do Banco do Brasil, o valor de R$ 17 milhões, correspondentes a 1% do valor de uma dívida que teria sido renegociada na Instituição financeira.

Inicialmente, Marcelo Odebrecht disse ter negado fazer os pagamentos. No entanto, após Bendine assumir a presidência da Petrobrás, passou a fazer pagamentos que chegaram aos R$ 3 milhões. Os acertos teriam sido feitos com o intermédio de André Gustavo, que teria prestado consultorias fictícias para a empreiteira.

Em interrogatório, André Gustavo Vieira da Silva admitiu ter pego os R$ 3 milhões a título de propinas e repassado R$ 950 mil a Aldemir Bendine em duas entregas: uma delas, em uma carona ao aeroporto de Congonhas e a outra em um almoço.

“Eu cheguei a falar com ele para fazer metade, metade, ele sugeriu 20%, e ele disse: ‘vai resolvendo que a gente conversa’. Não chegamos a determinar como ficar no final. A verdade é que eu recebi os 3 milhões, paguei um milhão de uma dívida minha e 950 mil a Aldemir Bendine e um milhão eu paguei de imposto”.

André Gustavo ainda disse ter utilizado Marcelo Casimiro, taxista de sua confiança, para pegar os valores junto a representantes da empreiteira, mediante a apresentação de senhas. Ele também confessa que os valores ficaram em um flat em nome de seu irmão, Antônio Carlos, também réu na ação penal. No entanto, o publicitário diz que o familiar não conhecia os esquemas.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALBERTO ZACHARIAS TORON, QUE DEFENDE BENDINE

O advogado afirmou que os documentos entregues por André Gustavo Vieira da Silva não ‘têm qualquer autenticidade, nem reconhecimento de firma’.

Sobre os documentos juntados pelo Ministério Público Federal, Toron afirma: ‘Eles podem supor o que quiserem”.