Aliado de ex-diretor da Dersa se entrega à PF

Aliado de ex-diretor da Dersa se entrega à PF

Casas Vilela, ex-chefe de Assentamento da estatal, foi denunciado com Paulo Vieira de Souza por supostos desvios de R$ 7,7 milhões de obras em São Paulo

Luiz Fernando Teixeira e Luiz Vassallo

06 Abril 2018 | 12h54

Sede da Polícia Federal em São Paulo. Foto: Divulgação

O ex-chefe de Assentamento da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A), José Geraldo Casas Vilela, denunciado na operação que prendeu Paulo Vieira de Souza – engenheiro ligado a políticos do PSDB -, se entregou à Polícia Federal em São Paulo, nesta sexta-feira, 6. Vilela é um dos denunciados – com Vieira de Souza e outros três investigados – pela força-tarefa da Operação Lava Jato por supostos desvios de R$ 7,7 milhões de obras do trecho sul do Rodoanel, do prolongamento da avenida Jacu Pêssego e da Nova Marginal Tietê, na região metropolitana de São Paulo.

Documento

Casas Vilela e Paulo Vieira de Souza tiveram a prisão decretada pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara da Justiça Federal de São Paulo. Segundo a procuradora da República Thamea Danelon, da Lava Jato em São Paulo, Vieira de Souza teria ameaçado uma testemunhas, que também é acusada de envolvimento com o esquema de desvios na Dersa.

+ ‘Vai cair junto’, ameaçou ex-diretor da Dersa, segundo Procuradoria

A Procuradoria afirma que Vieira de Souza ‘comandava o esquema’, que envolvia também dois ex-ocupantes de cargo em comissão na empresa, Casas Vilella, então chefe do Departamento de Assentamento da Dersa, e uma funcionária do setor na época dos fatos, Mercia Ferreira Gomes. Também é acusada de integrar o esquema uma irmã desta funcionária, Marcia Ferreira Gomes, e a psicanalista Tatiana Arana Souza Cremonini, filha de Souza.

Os cinco são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e inserção de dados falsos em sistema público de informação. Paulo, Geraldo e a funcionária participaram dos três eventos denunciados, aponta a Procuradoria.

Se houver a condenação, e aplicada a pena conforme solicitado pelo Ministério Público Federal, as penas de Paulo e Geraldo poderão variar de 15 a 81 anos, mais o agravante do crime continuado. Já Tatiana, filha de Paulo Vieira de Souza, pode receber uma pena entre 5 e 27 anos de prisão.

COM A PALAVRA, JOSÉ GERALDO CASAS VILELA
A defesa de José Geraldo Casas Vilela, representada pelo advogado Fernando Araneo, sócio do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, informa que seu cliente se apresentou à Policia Federal no fim da manhã desta sexta-feira (6) e está sendo encaminhado para audiência de custódia na Justiça Federal. De acordo com a defesa, a prisão é desnecessária e ilegal, dada por uma suposta ameaça ocorrida em 2015. “Não tem o menor sentido prender uma pessoa hoje por uma suposta ameaça ocorrida há três anos”, diz Araneo.

Mais conteúdo sobre:

DERSAPaulo Vieira de SOuza