Alexandre Accioly é investigado por ‘operações suspeitas’ com empresário

Alexandre Accioly é investigado por ‘operações suspeitas’ com empresário

Ministério Público Federal, na Operação C’est Fini, apura empréstimo ‘fantasma’ e transferência imobiliária com empresário Georges Sadala

Julia Affonso, Contança Rezende e Roberta Pennafort

23 Novembro 2017 | 13h25

Alexandre Accioly. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

A Operação C’est Fini, desdobramento da Lava Jato deflagrado nesta quinta-feira, 23, investiga ‘operações suspeitas’ dos empresários Alexandre Accioly e Georges Sadala. A Polícia Federal levou Accioly para depor e prendeu Sadala.

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Em manifestação ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal, do Rio, o Ministério Público Federal descreveu Alexandre Accioly como um ‘conhecido empresário no Rio de Janeiro’. Segundo a Procuradoria da República, Georges Sadala declarou ter recebido um empréstimo de R$ 1,65 milhão de Alexandre Accioly, em 2010.

“O empréstimo foi declarado como quitado no exercício seguinte”, afirma a força-tarefa da Lava Jato. “Ocorre que, na análise dos dados bancários de Georges Sadala e de empresas vinculadas, não foram localizadas transferências bancárias compatíveis com o valor do empréstimo declarado. A única transação financeira registrada sob o CPF de Alexandre Accioly foi referente ao depósito de um cheque emitido por Georges Sadala, em 4 de março de 2009, no valor de R$ 7,4 mil.”

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Alexandre Accioly foi levado a depor durante a manhã desta quinta. De acordo com o Ministério Público Federal, o depoimento do empresário é necessário para esclarecer as movimentações financeiras ‘considerando que não há informações sobre negócios jurídicos que tenham originado os referidos empréstimos’.

Em outra frente da investigação, a força-tarefa da Lava Jato mira ‘uma operação imobiliária suspeita’. Análise fiscal da Procuradoria aponta Accioly e Sadala usaram as empresas Accioly Participações e Ipanemabric Participações LTDA.

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A Receita, segundo a Procuradoria, alertou para cinco transações imobiliárias da Ipanemabric envolvendo um imóvel entre março de 2016 e maio de 2017. Os procuradores apontam ‘estranhos vínculos patrimoniais’ entre os empresários.

“Foge à lógica do mercado um negócio imobiliário de tamanha lucratividade: menos de sete meses após ter adquirido de Alexandre Accioly um bem por R$ 800 mil, Georges Sadala pactua promessa de compra e venda de 20% do referido imóvel pelo valor de R$ 5,5 milhões, tendo recebido como sinal a quantia de R$ 1,5 milhão, ou seja quase o dobro do valor que havia desembolsado poucos meses antes”, relata a força-tarefa.

A C’est Fini foi às ruas cumprir cinco mandados de prisão, além de busca e apreensão. Os mandados de prisão foram expedidos contra Henrique Alberto Santos Ribeiro, Lineu Castilho Martins, Maciste Granha de Mello Filho, Georges Sadala Rihan e Régis Velasco Fichtner Pereira. Os dois últimos aparecem na foto do episódio ocorrido em 2009 que ficou conhecido como “Farra dos Guardanapo”, em Paris. A PF cumpriu ainda a condução coercitiva do empresário Fernando Cavendish.

A reportagem está tentando contato com os investigados. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, RÉGIS FICHTNER

A reportagem tentou contato com a defesa de Régis Fichtner. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, MACISTE GRANHA DE MELLO FILHO

A defesa informou que não vai se manifestar.

COM A PALAVRA, O DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO RIO (DER-RJ)

Lineu Castilho Martins ocupa o cargo de assessor técnico do DER-RJ. O governo está avaliando o caso e até amanhã tomará uma decisão.

COM A PALAVRA, ALEXANDRE ACCIOLY

O empresário Alexandre Accioly divulgou nota informando que fez negócios legítimos com o empresário Georges Sadala, com quem tem relação “estritamente pessoal”, e não empresarial, e assegurando que tem “farta documentação comprobatória. Diz a nota: “O empresário Alexandre Accioly informa que prestou esclarecimentos a respeito da venda de um bem imóvel, aquisição de um automóvel e operação de crédito, cujo empréstimo foi integralmente quitado, firmados com Georges Sadala”. O comunicado informa também: “Todas as transações se deram em moeda corrente nacional, amparadas por farta documentação comprobatória – tais como escritura, documentos de compra e venda de bens e respectivas transferências bancárias (TEDs) -, e devidamente reportadas nas declarações de bens de Accioly referentes a cada exercício fiscal em que se verificaram.”

COM A PALAVRA, GEORGES SADALA

O empresário Georges Sadala enviou nota à imprensa em que critica o fato de ter sido preso preventivamente “sem que lhe fosse dada a oportunidade de esclarecer previamente os fatos que lhe são atribuídos, uma vez que jamais foi chamado a ser ouvido pelo Ministério Público Federal ou pela Polícia Federal em inquérito policial ou qualquer procedimento investigativo análogo”, e também sem ter dado indicativos de que não prestaria depoimento se solicitado. Diz a nota que “a prisão de Georges Sadala atende propósito meramente simbólico de alcançar o último personagem do enredo dos guardanapos, o que se evidencia pelo próprio nome dado à operação policial, ‘C’est fini’. Afinal, o empresário teve sua movimentação financeira e a de suas empresas completamente devassadas, não se encontrando qualquer indício concreto de repasses de recursos que lhe são atribuídos por delação isolada e jamais corroborada. O único fato concreto apurado e comprovado – e não negado pelo empresário – é sua amizade com o ex-governador Sergio Cabral, o que, por si só, não remete à prática de crime, nem à necessidade da prisão cautelar, de modo que confia que essa medida extrema será revista pelo próprio Poder Judiciário.”