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Alba Branca liga deputado do PPS a lobista da quadrilha da merenda

Alba Branca liga deputado do PPS a lobista da quadrilha da merenda

Relatório da polícia de Alckmin indica que Fernando Cury recebia Marcel Ferreira Júlio, que está foragido, em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo

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Pedro Venceslau e Fausto Macedo

12 Fevereiro 2016 | 05h00

Deputado estadual Fernando Cury, do PPS. FOTO: Alesp

Deputado estadual Fernando Cury, do PPS. FOTO: Alesp

A Operação Alba Branca liga o deputado estadual Fernando Cury, do PPS, ao lobista Marcel Ferreira Júlio, da organização que fraudava licitações da merenda escolar. Relatório da Polícia Civil do governo Alckmin indica relações próximas de Cury e o lobista, que está foragido desde 19 de janeiro, quando foi deflagrada Alba Branca – investigação que põe sob suspeita pelo menos 22 prefeituras e contratos da Secretaria da Educação do Estado.

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O documento resume interceptação telefônica que pegou Marcel falando com um interlocutor que a Polícia chama de “Felix” ou “Péricles”.

O lobista caiu no grampo dia 16 de dezembro de 2015, às 16 horas. Para os investigadores da Alba Branca, o diálogo indica que Marcel frequentava a sala do parlamentar no Palácio Nove de Julho, sede do Legislativo paulista, no Ibirapuera.

“Marcel conversa com interlocutor e pede pra que ele o procure na Assembleia Legislativa, no gabinete do deputado Fernando Cury”, diz trecho do relatório da Alba Branca.

Em seguida, o documento cita César Augusto Lopes Bertholino, então diretor financeiro da Coaf, cooperativa apontada como carro-chefe da quadrilha que vendia produtos agrícolas superfaturados para composição da merenda.

O relatório policial afirma que Marcel e César estiveram na Secretaria da Agricultura do Estado, acompanhados do deputado do PPS. “Quando César e Marcel foram na Secretaria da Agricultura, o deputado Fernando Cury estava junto.”

A polícia ressalta que o parlamentar tem bastante proximidade com o lobista a ponto de fazer uso de seu telefone para fazer contato “com um vereador”.

Segundo Alba Branca, a organização também mirava em contratos da Secretaria da Educação do governo Alckmin. O ex-chefe de gabinete da pasta Fernando Padula, quadro do PSDB, está sob investigação.

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Marcel teve prisão temporária decretada em janeiro, pela Justiça da Comarca de Bebedouro – região de Ribeirão Preto – onde fica a sede da Coaf.

Na sexta-feira, 5 de fevereiro, a Procuradoria-Geral de Justiça requereu ao Tribunal de Justiça do Estado ordem de prisão preventiva contra Marcel, que permanece foragido.

Alba Branca mostra que Marcel circulava com desenvoltura na Assembleia Legislativa, cujo presidente, deputado Fernando Capez (PSDB), é citado como suposto beneficiário do esquema de propinas da merenda escolar. O tucano nega taxativamente envolvimento com a organização. Capez se diz indignado com a citação a seu nome.

A investigação mostra elos do lobista foragido com aliados do tucano, entre eles Jéter Rodrigues Pereira, que trabalhava para o parlamentar, em seu escritório político e na Assembleia.

Outro ex-assessor do tucano, José Merivaldo dos Santos, o “Meriva”, caiu no grampo cobrando “58” do lobista. Alba Branca mira ainda em Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, assessor e cabo eleitoral de Capez.

A Procuradoria pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal de Jéter, “Meriva” e Licá. Também foi requerido acesso aos computadores da Assembleia usados pelos aliados de Capez.

Do próprio presidente da Assembleia a Procuradoria requereu a quebra do sigilo bancário e fiscal. Fernando Capez informa que abriu mão espontaneamente do sigilo de seus dados.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO FERNANDO CURY (PPS)

Confira a nota divulgada pelo deputado:

“Após questionamentos da imprensa sobre as relações que poderia manter com pessoas citadas pela Operação Alba Branca, o deputado estadual Fernando Cury esclarece que não é alvo da referida investigação. Interessado no esclarecimento das circunstâncias em que seu nome foi citado no curso das apurações, o parlamentar deslocou-se ate o município de Bebedouro, na tarde desta quinta-feira, 11 de fevereiro, sendo recebido pelo delegado Mário José Gonçalves, que preside o inquérito.

Na oportunidade foi expedida uma certidão atestando que o deputado não é investigado no Inquérito Policial 105/15 do qual culminou a Operação Alba Branca. Também foi esclarecido pelo delegado que o assunto tratado durante uma conversa telefônica entre investigados, em que teria surgido o nome do parlamentar, não tem nenhuma relação com os fatos apurados.

Por ter a Agricultura como uma de suas principais bandeiras, constantemente lideranças e representantes de entidades ligados ao setor procuram o gabinete do deputado. Quanto ao questionamento sobre sua presença em uma reunião na Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, com a presença de um dos investigados pela Operação Alba Branca, o deputado Fernando Cury nega ter participado de qualquer encontro. Para comprovar sua afirmação, o parlamentar já solicitou oficialmente o registro de presenças do dia 15 de dezembro de 2015, data em que a referida reunião teria ocorrido.

O deputado se colocou à disposição para eventuais esclarecimentos, mas o delegado que preside o inquérito disse não ser necessário, visto que seu nome não consta na lista de parlamentares sob investigação, documento este já encaminhado aos órgãos competentes.

Empenhado no prosseguimento das apurações, o deputado Fernando Cury assinará a proposta de abertura de uma CPI para investigar o suposto esquema de fraudes na compra de produtos agrícolas destinados à merenda escolar. ”

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO

“A Secretaria de Agricultura e Abastecimento informa que não há qualquer fundamento nas declarações dos representantes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) e que as ilações da reportagem são descabidas e absolutamente irresponsáveis. O secretário Arnaldo Jardim não recebeu as pessoas citadas nas gravações da Polícia Civil na secretaria tampouco discutiu com elas a inclusão de qualquer item na cesta básica estadual.

Todos os servidores citados na Operação Alba Branca, assim como os contratos de cooperativas agrícolas com a Secretaria da Educação dentro do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), são alvo de investigação da Corregedoria Geral da Administração.”

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