Advogado diz que repatriação de capitais ‘não é salvo conduto para corrupção’

Advogado diz que repatriação de capitais ‘não é salvo conduto para corrupção’

Pierpaolo Bottini vai defender na tarde desta terça-feira, 13, na Câmara dos Deputados projeto de lei que pode injetar US$ 100 bilhões na economia do País; 'anistia só para casos de origem lícita dos valores''

Fausto Macedo e Julia Affonso

13 Outubro 2015 | 12h06

Pierpaolo Bottini. Foto: Arquivo Pessoal

Pierpaolo Bottini. Foto: Arquivo Pessoal

O criminalista Pierpaolo Bottini defenderá nesta terça-feira, 13, na Câmara dos Deputados o projeto de lei da repatriação de capitais. Pierpaolo vai expor aos parlamentares que o texto prevê cobrança de uma pesada muita daqueles que quiserem regularizar seus bens. “A sanção criminal fica afastada e a anistia concedida, exclusivamente, nos casos em que a origem dos valores é lícita.” O advogado destaca que a medida ‘incentivará que uma parte desses ativos retorne ao país, estimulando a economia’.

[veja_tambem]

Os dados relativos ao montante que brasileiros mantêm no exterior ainda são imprecisos. Estima-se em cerca de US$ 100 bilhões a quantia depositada fora do País. Pierpaolo vai participar da audiência pública a convite do deputado José Mentor (PT/SP), presidente da Comissão Especial do Projeto de Lei 2960/15 -Tributação de Bens no Exterior. Também participará da audiência o advogado Heleno Torres.


“O projeto de lei é importante para solucionar a situação de milhares de brasileiros que detêm bens de origem lícita no exterior não declarados”, assinala Pierpaolo Bottini. “Não estamos tratando de traficantes de drogas ou corruptos, mas de empresários e profissionais liberais que, preocupados com a instabilidade econômica do País nos anos 80 e 90, enviaram valores para fora, em busca de segurança. Estas pessoas praticaram e praticam o crime de evasão de divisas, contra a ordem tributária e talvez de lavagem de dinheiro.”

Na avaliação do criminalista o projeto de lei resolve essa situação. Aos deputados ele dirá que ‘a regularização não significa salvo conduto para aqueles que praticaram outros crimes além da evasão de divisas’.

“Nesses casos a anistia é vedada. A experiência já foi adotada por dezenas de países de forma exitosa”, argumenta Pierpaolo Bottini.

Ele ressalta que a redação do projeto de lei apresenta mecanismos sugeridos pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) ‘para evitar que a regularização seja usada para lavagem de dinheiro ou outras praticas ilícitas’.