Acorrentar o filho viciado, último ato de desespero de uma mãe

Acorrentar o filho viciado, último ato de desespero de uma mãe

*Fernanda Alves

10 Setembro 2017 | 06h00

Fernanda Alves. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ser mãe vai além de todas as forças, principalmente quando você vê seu filho, ali, definhando nas drogas.

Sabemos que muitas usam correntes e prendem seus filhos ao pé da cama, para que eles não fujam atrás das drogas.

O que deve sentir um viciado quando ele se vê ali, feito um cão violento? Seu psíquico já está mais que abalado, ele já se sente um nada e ainda tem que sofrer essa situação constrangedora, que dificilmente entenderá que é para ‘seu bem’. E não é!

Ninguém merece ser acorrentado.

Se o grau de dependência do filho for considerado leve, a mãe pode ter algum sucesso se for atrás de ajuda médica.

Se o viciado já estiver muito dependente de drogas, como do crack por exemplo, ele sofrerá demais ali, acorrentado, pela abstinência da química.

Alguns fogem. E sabe quando eles voltam para casa? Nunca mais! Seus pais vão amarrá-lo ou acorrenta-lo novamente. É aí que eles perdem seus filhos.

O melhor a ser feito é a internação involuntária, mas muitas mães não sabem como internar seus filhos, por falta de estrutura emocional ou por falta de informação.

Não temos clínicas públicas disponíveis, não há vagas, o SUS raramente tem alguma ambulância à disposição para remoção.

Existem as clínicas particulares para uma adequada remoção e internação, mas não são todos que podem custear, infelizmente!

Caso haja essa possibilidade, para os familiares é importante a orientação. Assim, eles se mantêm firmes, certos da decisão tomada e evitam se envolver emocionalmente.

Isto é tão importante quanto o estabelecimento de uma relação plena de confiança entre os responsáveis pelo dependente e os profissionais, com a troca de informações claras e sinceras, para que a estratégia de tratamento seja adequada a cada caso.

Antes de tomar qualquer atitude, pesquise sobre a clínica escolhida, verifique se ela tem alvará para esse tipo de serviço, com todos os profissionais necessários.

Há muitas clínicas clandestinas espalhadas por aí, entopem os dependentes de remédios, trocam uma droga pela outra. Cuidado!!

Nossos filhos merecem carinho e um tratamento digno.

Não às correntes!

*Fernanda Alves é jornalista/apresentadora, fundadora do projeto SOS Dependentes Químicos

Mais conteúdo sobre:

Fernanda Alvesdrogas