A vez de Marcelo Miller

A vez de Marcelo Miller

Ex-procurador da República, citado na investigação que pode culminar com a ruptura do acordo de delação premiada de executivos da JBS, depõe no Ministério Público Federal no Rio nesta sexta, 8

Luiz Vassallo e Vera Rosa

08 Setembro 2017 | 05h00

Marcelo Paranhos de Oliveira Miller. Foto: Alex Lanza / MPMG

O ex-procurador da República Marcelo Miller deve depor nesta sexta-feira, 8, na investigação que pode levar à rescisão do acordo de delação premiada de executivos da JBS. Miller é personagem importante da crise aberta a partir da descoberta de um áudio de quatro horas que chegou à Procuradoria-Geral da República. O depoimento deverá ocorrer no Ministério Público Federal do Rio.

Nesta quinta-feira, 7, prestaram depoimento na Procuradoria-Geral da República o principal acionista da JBS Joesley Batista e dois executivos do grupo, Francisco de Assis e Silva e Ricardo Saud.

Hoje é a vez de Miller.

Ele integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato e atuou nas delações do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT/MS) e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.
O áudio da JBS mostra um longo bate papo de Joesley com Ricardo Saud.

Os dois articulam estratégias para tentar neutralizar o Supremo Tribunal Federal e citam contatos com Miller, quando ele ainda supostamente exercia a função de procurador, como braço direito de Rodrigo Janot, o procurador-geral da República.

A suspeita é que quando pediu exoneração do cargo no Ministério Público Federal, Miller já atuava por um escritório contratado pelo grupo J&F para fechar acordo de leniência com a Procuradoria.

Na quarta-feira, 6, o ex-procurador, em nota, negou recebimento de ‘vantagem pessoal’ da J&F e reafirmou que o áudio entregue pelos delatores, na última quinta-feira, 31, tem ‘conteúdo fantasioso’.

No áudio dos delatores, Miller é mencionado por Joesley como um procurador da República que estaria atuando em benefício do grupo.
“Não é que não tem. Nós vamos, eu já falei pro Francisco (Assis e Silva): tem que resolver isso, nós vamos ajeitar. Fernandinha (advogada), você vai ajeitar o Marcelo, que nós já estamos ajeitando. Nós vamos conhecer o Janot, nós vamos conhecer não sei quem, e quem precisa do que?”, diz o empresário na conversa gravada.
Em nota que divulgou na quarta, 6, Marcelo Miller afirma que ‘não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa’ e nunca atuou como intermediário entre o grupo J&F e o procurador-geral da República, ou qualquer outro membro do Ministério Público Federal’.
O advogado ainda afirma que ‘não mantém relações pessoais e jamais foi ‘braço direito’ do procurador-geral’.
“Desde julho de 2016, estava afastado do grupo de trabalho da Lava Jato e das atividades da PGR, atuando efetivamente na Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro. Nesse período, também não acessou nenhum arquivo ou documento da Operação Lava Jato”, destacou.
O ex-procurador ainda diz que ‘lamenta e repudia o conteúdo fantasioso das menções a seu nome nas gravações divulgadas na imprensa’.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA QUE MARCELO MILLER DIVULGOU NA QUARTA, 6
1. Não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa.
2. Não recebeu dinheiro ou vantagem pessoal da J&F ou de qualquer outra empresa.
3. Nunca atuou como intermediário entre o grupo J&F e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ou qualquer outro membro do Ministério Público Federal.
4. Não mantém relações pessoais e jamais foi “braço direito” do procurador-geral.
5. Não manteve qualquer comunicação com o procurador-geral desde outubro de 2016, com exceção do dia 23 de fevereiro de 2017, quando esteve na PGR para pedir a exoneração do cargo.
6. Nunca fez parte da força-tarefa da Operação Greenfield, no âmbito da qual foi celebrado o acordo de leniência da J&F.
7. Também não teve acesso a qualquer documento ou informação sobre a Operacão Greenfield.
8. Desde julho de 2016, estava afastado do grupo de trabalho da Lava Jato e das atividades da PGR, atuando efetivamente na Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro. Nesse período, também não acessou nenhum arquivo ou documento da Operação Lava Jato.
9. Lamenta e repudia o conteúdo fantasioso das menções a seu nome nas gravações divulgadas na imprensa.