‘A orientação era enrolar os representantes da Federação Internacional de Esportes’, diz à PF braço direito de Nuzman

‘A orientação era enrolar os representantes da Federação Internacional de Esportes’, diz à PF braço direito de Nuzman

Leia a íntegra do depoimento de Leonardo Gryner, preso na Operação Unfair Play com o presidente afastado do Comitê Olímpico Brasileiro sob suspeita de corrupção em esquema de compra de votos para eleger o Rio cidade olímpica

Luiz Vassallo e Julia Affonso

07 Outubro 2017 | 05h00

O empresário Leonardo Gryner, braço direito de Carlos Arthur Nuzman, disse à Polícia Federal que ‘a orientação era enrolar os representantes da Federação Internacional de Esportes’. Ele foi preso com Nusman nesta quinta-feira, 5, pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 5, na Operação Unfair Play, sob suspeita de envolvimento em esquema de compra de votos para eleger o Rio cidade olímpica.

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Documento


“QUE na verdade o declarante nunca dizia a PAPA DIACK que os eventos não iriam acontecer, mesmo verificando que o Governo não estava aceitando arcar com os custos desses eventos propostos pela Federação Internacional, em razão de outras prioridades.”

“QUE apesar da negativa do Governo em realizar esses eventos (Grand Prix, Campeonato Mundial da Juventude), o mesmo não queria que fosse formalizado esse ‘não’, para que não houvesse essa frustração inicial; QUE quando se refere a Governo quer dizer as 3 esferas de Poder: Municipal, Estadual e Federal; QUE esclarece que a orientação era não se comprometer com um volume tão grande de eventos, mas apesar disso tentar não se indispor com a Federação Internacional, portanto tentavam não formalizar a rejeição da proposta de PAPA DIACK, nem poderiam formalizar a aceitação da mesma, então, pode-se dizer que a orientação era ‘enrolar’ os representantes da Federação Internacional de Esportes.”

“QUE representando os Governos, em Berlim, estavam presentes o Governador Sérgio Cabral, o Prefeito Eduardo Paes e o Ministro do Esporte Orlando Silva; QUE durante as tratativas, dava várias desculpas à PAPA DIACK, algumas vezes apontando para a burocracia do governo, outras para as dificuldades com patrocinadores.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO NÉLIO MACHADO, QUE DEFENDE NUZMAN

O escritório Nélio Machado Advogados protocolou no Tribunal Regional Federal da 2ª Região pedido de aditamento à inicial do habeas corpus nº 0011063-34.2017.4.02.0000, impetrado no mês passado em favor de Carlos Arthur Nuzman, para requerer não só a nulidade da operação, mas também a imediata soltura do presidente do Comitê Olímpico do Brasil. A defesa de Nuzman é assinada pelos advogados Nélio Machado, João Francisco Neto e Guido Ferolla. Em anexo os advogados anexaram a negativa de extradição, pelo governo dos Estados Unidos, do empresário Arthur Soares, conhecido como “Rei Arthur”.