‘A malandragem é deles’, diz Gilberto Carvalho

‘A malandragem é deles’, diz Gilberto Carvalho

Ex-ministro do governo Dilma Rousseff revela que o lobista Mauro Marcondes, alvo da Operação Zelotes, é amigo do ex-presidente Lula; ele não descarta a possibilidade de o lobista ter se aproveitado da proximidade com o petista

Ricardo Galhardo

26 Outubro 2015 | 20h26

CDH2    BSB -  05/08/2014 -    NACIONAL    - GILBERTO CARVALHO/SENADO  Gilberto Carvalho ministro da Secretaria Geral da Presidencia da Republica fala na Comissiao de Direitos Humanos do Senado, em Brasília. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Gilberto Carvalho, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da Republica

O ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência Gilberto Carvalho disse nesta segunda-feira, 26, horas depois de prestar depoimento à Polícia Federal, que o lobista Mauro Marcondes, preso na Operação Zelotes, é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a época em que o petista era sindicalista e Marcondes diretor da Volkswagen. Segundo Carvalho, o lobista foi recebido algumas vezes no gabinete da Presidência.

Carvalho, no entanto, disse que embora Marcondes tenha sido tratado de forma “republicana”, não descarta a possibilidade de o lobista ter se aproveitado da proximidade com o ex-presidente para ganhar mais dinheiro de seus clientes.

“A malandragem é deles (lobistas) que, na hora de vender para as empresas podem falar que precisaram pagar (propinas). Quando você recebe as pessoas não sabem o que elas vão fazer com aquilo”, disse Carvalho.


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Marcondes é suspeito de ter negociado a “venda” da Medida Provisória 471, editada no governo Lula, que concedeu incentivos fiscais a montadoras de veículos instaladas na região Centro Oeste.

Agenda do lobista Alexandre Paes dos Santos, que também teria participado do negócio, registra um “café” com o ex-ministro no dia 16 de novembro de 2009. Carvalho nega o encontro lembrando que estava em uma viagem oficial a Roma naquela data.

Segundo o ex-ministro, a delegada da PF que tomou seu depoimento chegou a indagá-lo sobre um par de bonecas que Marcondes deu à suas filhas. “Em 2009 adotei duas meninas. Ele trouxe duas bonecas de presente, pequenas, de plástico. A delegada mostrou uma anotação em que ele dizia ‘não esquecer de levar duas bonecas para o Gilberto’. A PF interpretou como se boneca fosse código entre bandidos”, disse Carvalho. “Por isso foi bom esclarecer. Se quiserem posso mostrar as bonecas”, completou.

De acordo com Carvalho, Lula tratou a MP 471 de forma “normal”. “O assunto foi tratado como qualquer outro, tento como objetivo o desenvolvimento do Brasil. As montadoras do Nordeste tinham incentivo. Eles queriam o mesmo incentivo para o Centro Oeste”, recordou o ex-ministro.

Carvalho disse que voltou a ser procurado por Marcondes em 2013, já no governo Dilma, para renovar a MP. “Disse que poderia fazer chegar ao ministro Guido Mantega (Fazenda), coisa que acabei não fazendo nem lembro porque”, disse.

O ex-ministro foi depor na condição de testemunha por volta das 10h depois de ser intimado pouco depois das 8h por policiais federais. Segundo ele, a delegada agiu com muita gentileza e fez as perguntas com base em um roteiro formado por documentos apreendidos com os demais investigados. Não foram feitas perguntas sobre Luiz Cláudio Lula da Silva, filho de Lula, que recebeu R$ 2,4 milhões da Marcondes e Mautoni, empresa pertencente ao lobista.

“Estou muito sereno. Deixei o governo com o mesmo patrimônio que tinha quando entrei”, disse Carvalho.

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