A independência dos brasileiros em 2018

A independência dos brasileiros em 2018

Luiz Paulo Fazzio*

07 Setembro 2017 | 05h00

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Neste 7 de setembro, em que se comemora a Independência, o rompimento da dominação exercida por Portugal, os brasileiros precisam começar a se movimentar para exigir que seu direito humano ao livre acesso às funções públicas seja respeitado a partir das eleições de 2018.

A maioria dos brasileiros querem romper com a dominação exercida pelos partidos políticos, querem representantes com espírito público, íntegros, capazes de exercer com excelência as funções legislativas e executivas, que contribuam para a melhoria da qualidade de vida de seus compatriotas.

Na prática, temos 395 dias, até 7 de outubro de 2018, data das eleições, para (1) termos reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal o direito humano de livre acesso às funções públicas, independente de filiação partidária, e (2) mobilizarmos candidaturas independentes para o Legislativo e Executivo.

Na sociedade civil, não filiadas a partidos políticos, há milhares de brasileiras e brasileiros com espírito público, íntegras, com capacidade para exercer mandatos legislativos e executivos. E o mais importante, com disposição para se candidatar e dedicar tempo de suas vidas para melhorar o País.

São essas brasileiras e brasileiros que poderão substituir os atuais representantes com desempenhos insatisfatórios, e melhorar a qualidade da representação, invertendo a lógica comportamental que nos levou ao atual estado degradante nas dimensões ético, moral, política, social, ambiental e econômica.

Certamente não será fácil sair da zona de conforto, de eleitor(a) que reclama, critica, protesta, exige, para a posição de candidato(a), e posteriormente, de eleito(a), que tem o dever de representar, formular políticas públicas, propor soluções, dar o exemplo, prestar contas aos eleitores, entre tantos outros deveres.

É exatamente em um momento como o atual, que o patriotismo que habita em cada um de nós precisará se manifestar com intensidade. Junto dele, o instinto de sobrevivência da sociedade, a resiliência do organismo social frente aos atos que aterrorizam a democracia.

Somos mais de 207 milhões de brasileiros vivendo nesse território, criando nossas famílias, sofrendo com o sofrimento de nossos concidadãos, sobretudo com as crianças que tem a vida interrompida pela violência e pela inexistência de saneamento.

Os atuais “líderes” políticos estão nos conduzindo rumo ao abismo ético, moral, político, social, ambiental e econômico. O rombo fiscal foi aumentado. A dívida brasileira não para de subir. A reforma da Previdência está empacada no Congresso por conta de…vocês sabem bem.

Caiu o investimento. Encolheu a indústria. As receitas do governo vêm sendo frustradas. O populismo produziu a plutocracia, quebrou as contas públicas. Matou milhares de crianças por falta de saneamento ou pela violência. Retirou os sonhos de outros milhares por falta de educação.

Não podemos continuar a ser, exclusivamente, representados por filiados a partidos políticos nos quais 7 em cada 10 brasileiros não confiam. As estruturas de poder dos partidos foram formadas por um padrão de comportamento que não vem entregando resultados aos eleitores e ao País.

E os eleitores, ainda hoje obrigados a votar em candidatos filiados a partidos políticos, são reféns destes.

Não por acaso, no segundo turno da eleição presidencial de 2014, dos 105.542.273 votos válidos, 30.137.479 foram abstenções, e 5.219.787 foram brancos ou nulos. Isso quer dizer que, 37.279.085 eleitores invalidaram seus votos. Quase 40% dos brasileiros não se sentiram representados naquelas eleições.

Passados 4 anos, com o maior conhecimento dos cidadãos a respeito da lógica doentia, além de criminosa, que “sustenta” a relação entre o Legislativo e Executivo, não podemos permitir que nas eleições de 2018 tenhamos novo recorde de votos inválidos.

Queremos exercer nosso direito de livre acesso às funções públicas, votar em candidatos independentes, resgatar a Política e dignificar a vida e o futuro das nossas crianças.

*Advogado e sócio na Advocacia L. P. Fazzio

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