‘A democracia não está em risco no Brasil’, diz Moro

‘A democracia não está em risco no Brasil’, diz Moro

Juiz da Lava Jato deu palestra na Escola de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

Cláudia Trevisan, enviada especial a Cambridge, Estados Unidos

16 Abril 2018 | 15h56

Sérgio Moro. Foto: EFE/Sáshenka Gutiérrez

“Deixa eu dizer alto e claro: a democracia não está em risco no Brasil”, afirmounesta segunda-feira o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condenação à prisão do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato. O magistrado deu o recado antes de participar de evento na Universidade de Harvard. “Eu pedi permissão dos organizadores para fazer algumas observações sobre o que está acontecendo no Brasil. Isso vai parecer desnecessário para muita gente aqui. Mas eu acho importante falar algumas coisas.”

+ ‘Me senti refém no meu próprio condomínio’, diz moradora do Solaris

Sem mencionar nenhuma vez o caso do ex-presidente, Moro afirmou que o que ocorre no Brasil é a luta pelo Estado de Direito, que terá como consequência o fortalecimento da democracia e poderá levar até a uma “economia mais forte” no Brasil.
Segundo ele, as investigações de corrupção sob sua responsabilidade e de outros magistrados revelaram fatos “vergonhosos”, mas sua punição deve ser motivo de orgulho para o país.

+ Depois de 3 horas, manifestantes pró-Lula desocupam triplex no Guarujá

O magistrado mencionou trecho de discurso feito em 1903 pelo ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt (1858-1919), para reforçar sua posição: “A exposição e a punição da corrupção pública é uma honra para uma nação, não uma desgraça. A vergonha está na tolerância, não na correção”.

Em julho, Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Em janeiro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmou a condenação e elevou a pena a 12 anos e 1 mês. Lula foi preso por determinação de Moro no dia 5, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) negar pedido de habeas corpus preventivo apresentado por seus advogados.

Aliados do ex-presidente sustentam que o julgamento teve motivações políticas e representam uma ameaça ao sistema democrático. Para eles, não há provas para a condenação do ex-presidente e a proibição de sua participação na eleição representa um golpe. Lula pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que proíbe o registro de candidatos que tenham sido condenados criminalmente em segunda instância.

Mais conteúdo sobre:

Sérgio Morooperação Lava Jato