A decisão que mandou Garotinho e Rosinha para a cadeia

A decisão que mandou Garotinho e Rosinha para a cadeia

Leia a íntegra da ordem do juiz eleitoral da 98ª Zona Eleitoral, Glaucenir Silva de Oliveira, para prender os ex-governadores do Rio, sob suspeita de propinas da JBS

Redação

22 Novembro 2017 | 18h27

Garotinho e Rosinha em 2004. Foto: WILTON JUNIOR/AGENCIA ESTADO

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COM A PALAVRA, GAROTINHO E ROSINHA

Os ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho atribuem suas prisões a mais um capítulo da perseguição que vêm sofrendo desde que o ex-governador denunciou o esquema do governo Cabral e do desembargador Luiz Zveiter.

Não por acaso é Glaucenir de Oliveira quem assina os pedidos de prisão, o mesmo juiz que decretou a primeira prisão de Garotinho no ano passado, após este ter denunciado Zveiter à Procuradoria Geral da República.

Anthony Garotinho afirma ainda que nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum e, conforme dissera em seu programa de rádio, chegou a ser alertado por um agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sergio Cabral e Jorge Picciani no presídio de Benfica, na qual o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na cara de Garotinho.

A perseguição é tão evidente que a ordem de prisão de Glaucenir foi no sentido de que Garotinho fosse conduzido para o presídio de Benfica, onde estão políticos cujos crimes só vieram à tona por causa das denúncias do ex-governador.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA DANIEL BIALSKI

O criminalista Daniel Bialski, defensor de Antônio Carlos Rodrigues, disse que o ex-ministro dos Transportes e presidente nacional do PR, deverá se entregar nesta quinta-feira. Bialski disse que Antônio Carlos Rodrigues está viajando, por isso não foi localizado pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 22.

“O decreto de prisão é um absurdo. Como se decreta a prisão preventiva depois de tanto tempo do fato e se não há nada que realmente mostre que essa prisão é necessária?”, questiona Daniel Bialski, que nesta causa atua em parceria com Marcelo Bessa, advogado do partido presidido por Antônio Carlos Rodrigues.

“Você não tem qualquer elemento daqueles exigidos na lei para dizer que essa prisão dele e do genro (Fabiano) é realmente necessária para garantia da instrução penal, da segurança de testemunhas ou da ordem pública ou econômica”, enfatiza Bialski. “Os fatos são extremamente discutíveis, com base em uma delação.”

O advogado destaca que o ex-ministro dos Transportes do Governo Dilma (2012/2014) ‘sempre teve uma vida política e pessoal abolutamente impoluta, ocupou cargos importantes na política nacional’.

“A ordem de prisão soa, além de exacerbada, um tanto quanto exagerada.”

O criminalista informou que nesta quinta-feira, 23, deverá ingressar com habeas corpus. “Antônio Carlos Rodrigues está viajando, mas vai se apresentar, obviamente, porque nada tem a esconder e não pretende, de forma alguma, afrontar uma decisão judicial.”