‘A corrupção continua em larga monta’, afirma procuradora

‘A corrupção continua em larga monta’, afirma procuradora

Em Porto Alegre, onde a força-tarefa do Ministério Público Federal se reúne para fazer um balanço de quatro anos da Operação Lava Jato e redefinir as próximas investigações, Raquel Dodge diz que crimes do colarinho branco 'não podem ficar impunes'

Teo Cuy/PORTO ALEGRE

16 Março 2018 | 12h27

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

A procuradora-geral da República Raquel Dodge disse nesta sexta-feira, 16, que ‘a lei está valendo para todos’. O recado da chefe do Ministério Público Federal foi dado em Porto Alegre, onde a força-tarefa da Operação Lava Jato se reúne para fazer um balanço e redefinir a linha de novas investigações.

“É preciso redobrar o esforço, redobrar o ânimo e redefinir estratégias, verificar onde temos sido mais exitosos”, disse a procuradora. “A corrupção continua ocorrendo no Brasil em larga monta, apesar do muito que já se avançou no âmbito da Lava Jato e de outras operações contra a corrupção.”

“As pessoas que cometeram esses crimes não podem ficar impunes, não podem seguir sem reparar o dano, sem devolver aos cofres públicos o dinheiro de impostos que foram desviados pela corrupção.”

Raquel defendeu a delação premiada e a prisão em segunda instância.

“São instrumentos de efetividade. A colaboração permite desvendamento de crimes, sobretudo do colarinho branco, que são praticados em portas fechadas, de modo dissimulado, de forma não violenta, mas igualmente insidiosa. A prova é muito difícil, é muito difícil encontrar vestígios dos crimes de colarinho branco, vestígios de corrupção.”

Raquel assinalou que ‘ninguém faz um contrato de corrupção’.

“Ninguém faz um acordo para desviar dinheiro. Não se documenta esse tipo de conduta. Por isso, a colaboração premiada é um instrumento tão importante e tão poderoso.”

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