‘Não podemos nos contatar. Confirmado que aqui estou monitorado’, registra bilhete com Vaccarezza

‘Não podemos nos contatar. Confirmado que aqui estou monitorado’, registra bilhete com Vaccarezza

Lava Jato quer saber com quem falava ex-líder do PT na Câmara em papel apreendido em sua residência que diz: 'Amigo', 'outro assunto está sob controle total', 'fique tranquilo'

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo

26 Setembro 2017 | 14h00

A Polícia Federal tenta identificar com quem foi trocado o bilhete apreendido nas coisas do ex-líder do PT na Câmara Cândido Vaccarezza com uma enigmática mensagem que diz, entre outras coisas: “Amigo, Outro assunto está sob controle total; Não podemos nos contatat. Confirmado que aqui estou monitorado; No momento certo, marco reuniçao pelo mesmo canal; Fique tranquilo”.

O bilhete foi recolhido na Operação Abate, 44ª fase da Lava Jato que levou Vaccarezza para a cadeia suspeito de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O ex-deputado teria atuado acertado US$ 500 mil em propinas para que a norte-americana Sargent Marine fechasse contrato para venda de asfalto para a Petrobrás.

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A ordem do juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Lava Jato, em Curitiba, era para prender Vaccarezza e recolher materiais em sua residência de interesse às investigações.

O papel digitado registra ainda: “A pessoa que lhe entrega este bilhete será o portador no futuro”. Para os investigadores, o ex-deputado sabia que estava no foco da Lava Jato e suspeita que a mensagem seja posterior a deflagração das investigações, em março de 2014.

Para o delegado federal Filipe Hille Pace, o papel de Vaccarezza não teria se limitado ao negócio da Sargente Marine. Há registro de um suposto acerto de R$ 100 milhões em propinas, em benefício do PT.

Vaccarezza foi solto no dia 22 de agosto, por ordem de Moro, sob o pagamento de fiança de R$ 1,5 milhão.

Nas buscas que fez em sua residência, a Lava Jato recolheu ainda blocos de anotações e folhas avulsas, como uma com papel timbrado da Câmara dos Deputados, com registros feitos a mão.

Os autos de apreensão anexados ao inquérito da Abate não analisam o conteúdo das agendas e anotações. Há nomes de políticos e partidos.