18 anos para Adriana

18 anos para Adriana

Ao condenar o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) a 45 anos e dois meses de prisão, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal, também sentenciou a ex-primeira-dama

Julia Affonso, Constança Rezende, Wilson Tosta e Luiz Vassallo

20 Setembro 2017 | 20h22

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral e a mulher Adriana Ancelmo em viagem pela Europa. Foto: Reprodução/Blog do Garotinho

Ao condenar o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) a 45 anos e dois meses de prisão, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal, também sentenciou a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo a 18 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, o peemedebista, apontado como líder da organização criminosa, cobrava 5% de propinas sobre o valor de obras da Andrade Gutierrez. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro aponta que a construtora era uma das beneficiadas dos esquemas do ex-governador. Entre as obras em que teria havido propinas, estão a expansão do Metrô em Copacabana, a reforma do estádio do Maracanã para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e para a Copa do Mundo de 2014, a construção do Mergulhão de Caxias, a urbanização do Complexo de Manguinhos, com recursos do Programa de Aceleração de Crescimento, o PAC, do governo federal, e o Arco Metropolitano.

Em razão dos supostos crimes, o magistrado cobra R$ 224 milhões a serem ressarcidos solidariamente pelos condenados na ação.

“Adriana Ancelmo, companheira de Sérgio Cabral, integrou o núcleo financeiro-operacional da organização e atuou, essencialmente, na lavagem do dinheiro espúrio angariado pela organização, seja através da aquisição dissimulada de joias de alto valor, amplamente comprovada nos autos, seja através de seu escritório, Ancelmo Advogados, valendo-se clássica modalidade de celebração de contratos fictícios. Foi assim com as empresas dos corréus Luiz Ygayara e Carlos Borges”, anota o magistrado.

O Estado ainda não localizou os defensores dos outros réus.

COM A PALAVRA, RODRIGO ROCCA, DEFENSOR DE SÉRGIO CABRAL

“A sentença agride a lógica, o bom senso e a prova produzida nos autos. Passou a ser urgente que o Tribunal decida sobre a arguição de suspeição que fizemos contra o Juiz Marcelo Bretas e o afaste, o quanto antes, da presidência dos trabalhos”, disse.