Primeiro dia na prisão teve quentinha com chuchu e título do Timão

Primeiro dia na prisão teve quentinha com chuchu e título do Timão

Lula passou primeiras 24 horas da pena de 12 anos e 1 mês de reclusão em companhia dos advogados Cristiano Zanin e Sigmaringa Seixas

Ricardo Brandt, Fábio Serapião, enviados especiais a Curitiba, e Fausto Macedo

09 Abril 2018 | 10h00

Depois da confusão e da fumaça das bombas, na noite em que Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e réu da Lava Jasto – pousou sobre a “cela” especial para início de cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão, no caso triplex do Guarujá (SP), a Polícia Militar do Paraná preparou um esquema de isolamento do prédio da Polícia Federal, em Curitiba, neste domingo, 8, que barrou até mesmo os advogados do ex-presidente: seu defensor Cristiano Zanin Martins e o amigo e aliado político Sigmaringa Seixas.

Companhias de Lula nas primeiras horas do cárcere – as mais indeléveis na memória -, Zanin e Sigmaringa estiveram ao lado do petista logo após sua apoteótica chegada na PF no helicóptero, sob o barulho e relampejar de bombas e muita fumaça.

Numa espécie de antessala da “cela” especial preparada para o ex-presidente os dois conversaram nas primeiras horas do domingo, antes da primeira madrugada gélida de sono – ou de insonia – e do teste do colchão.

À tarde, fizeram a primeira visita como advogados para o condenado ilustre que passou a ocupar o antigo alojamento da cobertura do prédio de quatro andares.

No primeiro dia de condenado, Lula tomou café por volta das 8h, comeu quentinha no almoço e na janta – com direito a chuchu, arroz, feijão, carne e macarrão – e pode assistir da TV a final do Paulista. O Corinthians venceu seu arquirrival Palmeiras e sagrou-se campeão nos pênaltis.

Tarde quente. Eram quase 15h quando um taxi comum, que trazia Zanin e Sigmaringa, encostou em um dos pontos de bloqueio da PM nas vias de acesso à PF, feitos por ordem da Justiça.

A ordem era impedir protestos, acampamentos e conflitos. Desde a chegada de Lula, o local foi sitiado – enquanto o número de petistas, sem-terra e apoiadores aumenta na concentração de vigília que se forma no bairro residencial do Santa Cândida – .

Sem sair do veículo, Zanin se apresentou, insistiu, mas o oficial não cedeu. A ordem era barrar qualquer um que tentasse seguir de veículo por ali. E foi cumprida.

Os dois companheiros – e advogados – de Lula chegaram a um superior resolutivo depois de barrados em três bloqueios.

O encontro, do advogado, que é genro do compadre Roberto Teixeira, e do velho amigo de partido com o petista foi combinado previamente com a PF.

Os dois estiveram com o ex-presidente em duas ocasiões, desde sua prisão, e devem manter os contatos diariamente, enquanto ele permanecer em Curitiba – advogado pode visitar o preso na PF em qualquer dia.

O primeiro contato deles com o condenado foi logo depois do desembarque do helicóptero, por volta das 22h30 do sábado. Permaneceram com o petista nas primeiras – e amargas – horas do cárcere e só deixaram o local, perto da 1 hora da madrugada.

Alvorecer frio. Depois do tratamento especial dispensado ao ex-presidente – nas 48 horas entre a prisão, o fim do prazo para de apresentação voluntaria e a rendição -, o dia foi de entrar na rotina do cárcere no domingo.

Lula recebeu, por volta das 8h, o desjejum básico e honesto do café preto e com pão com manteiga, suficiente para enganar a fome até a primeira quentinha da temporada de condenado na terra das araucárias – a árvore que tem aos montes no Paraná e no entorno da PF.

O primeiro almoço chegou às 11 horas, quando já fazia um calor de rachar mamona, apesar do vento para compensar.

A uma hora do clássico da final do Campeonato Paulista, Zanin e Sigmaringa chegaram para tratar da defesa, segundo falaram à imprensa.

O começo do jogo teve a companhia dos advogados companheiros – com menos de 2 minutos de bola rodando o Corinthians abriu o placar, que lhe garantiu a vitória e levou a disputa aos pênaltis: resultado 4X3.

Zanin e Sigmaringa saíram antes do final da partida, por volta de 17h30 da sede da PF. Foram direto ao aeroporto Afonso Pena, para voltar para São Paulo.

Noite gélida. Sozinho na sala de Estado Maior reservada na unidade considerada o coração da Lava Jato (onde está todo arquivo da operação), Lula comemorou a vitória e mais um título do Corinthians – que, conquistado em cima do arquirrival Palmeiras, tem valor triplicado. E esperou pela janta.

Por volta das 18 horas, a perua da empresa Blumenauense, contratada pela PF para fornecer a comida dos presos, entrou pelo portão dos fundos. A quentinha, segundo o funcionário, veio com carne assada, arroz, feijão, salada de cenoura, chuchu e macarrão. A última refeição do dia inaugural na prisão teve que ser comida com talhares de plástico. E um copo de suco de laranja.

Com o fim da tarde, o gélido vento que sopra e balança as araucárias do entorno da PF, no Santa Cândida, abriu os minutos finais para o término do primeiro dia de cárcere de Lula condenado, por volta das 20h20.