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Versão em vermelho

Dora Kramer

15 Setembro 2016 | 15h21

Lula acusou o golpe. Tanto entendeu a gravidade e o potencial politicamente destrutivo da denúncia apresentada pela força tarefa da Lava Jato, que reagiu de pronto tentando criar um fato para rivalizar com as palavras dos procuradores e dar a impressão de que está “mais vivo” do que nunca. Tanto ele quanto os petistas aos quais pediu que vistam vermelho, ergam as cabeças e saiam às ruas  para se defender das “perseguições” de que são vítimas.

A militância presente à sede do Diretório Nacional do PT  adorou. Lula contou aos petistas a história que queriam ouvir para poder sair por aí repetindo o relato de uma grandiosa injustiça. O ex-presidente falou de sua origem pobre, da trajetória política, dos sucessos obtidos, de suas grandes qualidades, pôs no mesmo saco de “eles” os adversários partidários, os procuradores que o investigam, os policiais que estiveram em ações de busca e apreensão em residências dele e de sua família, falou o que quis do jeito que bem entendeu, mas não fez referência à substância das acusações.

Como se fossem obra da imaginação raivosa daqueles que nada querem além de anarquizar com a reputação dele. Cometeu a proeza de localizar o início da “perseguição” em 2005 sem fazer referência ao esquema do mensalão, episódio detonador das sérias agruras do PT na Justiça. Lembrou que o Brasil já foi exemplo no mundo, lamentando que hoje o País “esteja nessa situação”. Como se a crise econômica tivesse sido obra da oposição. Uma versão bem arrumada, mas desconectada dos fatos. E contra eles, como se sabe, não há argumentos.

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