Umas palavrinhas para melhorar as ofensas
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Umas palavrinhas para melhorar as ofensas

As redes continuam aumentando o tom das ofensas na semana matadora que terminará com o nocaute de um dos candidatos. Poderíamos recorrer ao dicionário para melhorar o nível?

Redação

19 Outubro 2014 | 14h14

Por Eduardo Muylaert*

As redes continuam aumentando o tom das ofensas na semana matadora que terminará com o nocaute de um dos candidatos. A Justiça Eleitoral teve que sair do seu papel minimalista e tentar por um pouco de ordem na baixaria, pois a Lei das Eleições garante a liberdade de expressão mas pune as ofensas, até criminalmente[1].

O efeito  da troca de acusações,  ao vivo e em cores, é difícil de avaliar.  Parece que aumenta a rejeição aos candidatos e a adesão ao voto nulo, porém o apreço aos contendores não cresce.

O jogo sujo traz emoção ao público, estimula a violência das torcidas organizadas, mas, com certeza, desgasta a ideia de convivência civilizada de contrários que é essencial à democracia.


Poderíamos recorrer ao dicionário para melhorar o nível?  Quem sabe até  propor um jogo de palavras cruzadas online?  Algumas palavras esquecidas do bicentenário WEBSTER foram ressuscitadas pelo Huffington Post[2] de domingo e podem servir de inspiração.

AFTER-WISE se refere à esperteza tardia, saber exatamente o que você queria ou deveria dizer, depois que passou a oportunidade. Muito comum em brigas de casal. BABBLEMENT é  baba, balbucio sem sentido. Já MAFFLE é gaguejar ou tropeçar nas palavras.

DAGGLE-TAIL se aplica a rastejar na lama ou grama molhada, mas é usado para apontar a sujeira na barra das calças. ILLAQUEATION (n.), tem a mesma raiz de ilaquear (enganar) e é usado para pegar ou cair numa armadilha.

RAKESHAME (n.) é um vil pé de chinelo. FOPDOODLE (n.) é vulgar e, portanto, não deve ser usado, mas se refere a um sujeitinho insignificante. Por fim, JACKPUDDING (n.) é o cara que se faz de bobo para os outros rirem.

Você consegue  achar alguma dessas coisas nos debates ou nas redes? Que tal tentar uma caça ao tesouro antes que o mal cresça?   Nem precisamos do WEBSTER, o AURÉLIO e o HOUAISS estão aí para isso.

E quem não tem vergonha de ser assim”? A pergunta é de Zélia Duncan,  na sua composição Vou Tirar Você do Dicionário. Vamos tirar umas palavrinhas do dicionário e melhorar o nível?

 


[1]Lei 9504/97: Art. 57-D. É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores – Internet, assegurado o direito de resposta… “§ 3º Sem prejuízo das sanções civis e criminais aplicáveis ao responsável, a Justiça Eleitoral poderá determinar, por solicitação do ofendido, a retirada de publicações que contenham agressões ou ataques a candidatos em sítios da internet, inclusive redes sociais.”

[2]Disponível em: http://www.huffingtonpost.com/paul-anthony-jones/forgotten-words_b_5985494.html?ir=Books&utm_campaign=101714&utm_medium=email&utm_source=Alert-books&utm_content=Title>

 

 

*Eduardo Muylaert é professor associado da FGV Direito Rio.