Substituição, tragédia e catástrofe nas redes sociais
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Substituição, tragédia e catástrofe nas redes sociais

As redes sociais são férteis em especulações e boatos, alguns absurdos, outros viáveis.A eventual substituição de candidatos tem sido uma questão frequente nos últimos dias. Deve ser levada a sério?

Redação

02 Setembro 2014 | 09h09

Por Eduardo Muylaert*

É a tragédia, em geral, que impõe a substituição. Ao assumir o lugar de Eduardo, Marina mudou completamente o quadro eleitoral. As pesquisas e as reações ao debate, especialmente na rede, a mostram como concorrente forte, ameaçando a hegemonia PT – PSDB. O quadro de recessão técnica da economia, e a reação do mercado, aumentam a chance da oposição, embora sejam também maiores as dificuldades que terá o novo (a nova?) presidente. Muitos eleitores, e também grandes doadores, gostam de apostar nos favoritos. Temendo uma catástrofe, um partido pode substituir seu candidato. Este precisa renunciar (firma reconhecida por tabelião ou duas testemunhas), e pode – medida extrema – ser expulso. Para isso restam poucos dias, até 15 de setembro, ou seja, uma segunda-feira a 20 dias da eleição. No caso da coligação, o partido do candidato tem preferência, mas pode abrir mão em favor de um partido coligado. Fala-se muito, embora pareça altamente improvável, numa troca de Dilma por Lula na cabeça da chapa do PT. E surgem boatos, possivelmente maldosos, de uma possível troca de Aécio, para disputar com mais vantagem o governo de Minas. Devem ser meras especulações, mas têm viabilidade jurídica. Não dá para fazer, entretanto, se o candidato, ou candidata, se opuser.

O roque, no xadrez, é uma jogada que desloca o rei ameaçado para o canto do tabuleiro, e o substitui por uma torre. O rei ainda não pode estar em xeque, e o bom enxadrista recomenda fazer o lance o mais cedo possível. Tudo para evitar o xeque mate. Mas a jogada não é sem risco e expõe fragilidade.O candidato, no calor da campanha, acaba acreditando na vitória, é difícil abrir mão do sonho. E a mudança pode parecer uma jogada suja, uma deslealdade; as redes sociais, as mesmas que alimentaram o monstro, seriam implacáveis. Essa eleição tem trazido muitas surpresas. Nos próximos dias, como se vê, tudo poderia mudar de novo. A lei permite, mas não é fácil. Nem provável.

* Eduardo Muylaert é professor associado da FGV Direito Rio

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