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Se liga, candidato

quinta-feira 21/08/14

Saiba quais os sites e ferramentas que mostram em tempo real se os candidatos distorcem números ou dão informações erradas em debates e entrevistas

Por Marina Barros*

Segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2014, a televisão é o veículo de comunicação preferido de 76,4% dos brasileiros. Por esse motivo, os partidos investem pesado na produção de seus programas diários.

Apesar de não permitir interação imediata com os eleitores, os programas de televisão reagem às pesquisas com telespectadores ou à acusações feitas por outro candidato no dia anterior. Tudo pode mudar nas 24 horas entre um programa e outro.

Esta brecha temporal da TV tem sido ocupada pela internet e pelas redes sociais. Blogueiros, eleitores e cabos eleitorais ressoam dados e informações numa espécie de debate com a televisão. Isso pôde ser observado por ocasião das entrevistas dos candidatos à presidência ao Jornal Nacional (da Rede Globo). Durante o programa, as redes foram inundadas de dados e informações que desmentiam ou confirmavam o que o candidato dizia na TV, num movimento de resposta, réplica e tréplica em tempo real. Os partidos e candidatos se prepararam para isso e suas páginas e perfis já têm aplicado tal estratégia.

Mas não só eles. Organizações apartidárias também desenvolvem projetos nesta direção. O Meu Rio desenvolveu o projeto Polígrafo Digital, juntando um grupo de especialistas para comentar ao vivo (e online) o debate dos candidatos ao Governo do Rio de Janeiro na TV Bandeirantes. Seguindo linha semelhante, a Agência Pública lançou o projeto “Truco”, que faz uma checagem das informações e dados presentes nos programas eleitorais da TV para esclarecer o que é verdade, o que é “blefe” e o que “não é bem assim”, fundamentando-se em pesquisas e estudos.

O financiamento de campanhas também é monitorado online. O projeto “Verdinha”, por exemplo, criou um plug-in que mostra os valores e fontes de financiamento de um candidato com o simples passar do cursor (mouse) sobre seu nome em qualquer notícia acessada pelo usuário.

Os aplicativos vão além da fiscalização e também buscam ajudar o eleitor a se decidir na hora de votar. O “Voto ou Veto” agrega notícias e propostas dos candidatos permitindo ao usuário aprovar ou vetar cada uma delas. Com esses dados, produz um ranking dos candidatos mais alinhados ao perfil político de cada eleitor. De forma parecida, o Projeto Brasil quer possibilitar ao eleitor comparar e avaliar as propostas dos candidatos à presidência a partir de uma filtragem por tema.

Se por um lado, a Internet permite a circulação de boatos e informações falsas, pode por outro qualificar e aprofundar o debate de ideias e propostas entre os candidatos. Para o bem da democracia.

* Marina Barros é pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio