Reações das redes à Justiça Eleitoral
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Reações das redes à Justiça Eleitoral

No 2.º turno destas eleições presidenciais, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu ser o pedagogo do povo. Os ministros tentam frear o inevitável realizando uma patrulha do que ainda conseguem controlar: o horário da TV e rádio. Mas agora há outro palco relevante: as redes sociais.

Redação

20 Outubro 2014 | 16h08

Por Ivar Hartmann*

No 2.º turno destas eleições presidenciais, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu ser o pedagogo do povo. Sinalizou uma mudança de posicionamento e passou a condenar qualquer ataque mais forte entre as candidaturas petista e tucana.

Os ministros parecem admitir que daqui para frente serão sempre coadjuvantes diante da internet. Tentam frear o inevitável realizando uma patrulha do que ainda conseguem controlar: o horário da TV e rádio. Mas agora há outro palco relevante: as redes sociais.

Nelas, os eleitores notaram que o debate de ontem da TV Record começou livre de ataques. Em 30 minutos, no entanto, Dilma e Aécio levaram o foco de microempresas ao Metrô e à Petrobras.


Sem o controle da Justiça Eleitoral, as redes estavam divididas. Havia internautas que diziam não aguentar mais o estilo de campanha baseado em ataques, presente nos debates anteriores. E havia também aqueles que replicavam as acusações feitas ao vivo pelos candidatos que apoiavam. É evidente que ao TSE resta apenas a função de administrar as urnas – a única que a Constituição lhe deu.

O debate político não é mais centralizado e não precisa de salvadores de toga tentando reproduzir artificialmente um formato de debate que consideram melhor. Quanto mais o Judiciário tentar controlar a manifestação política, mais poderá haver reações na internet.

 

*Ivar Hartmann é professor da FGV Direito Rio.

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