O voto racional do Atlas Político
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O voto racional do Atlas Político

A internet e as redes sociais têm ocupado um papel importante nestas eleições. Entendida como um canal mais democrático e participativo, esperava-se que os candidatos fizessem amplo uso da rede em suas campanhas, mas as ferramentas mais inovadoras no campo das eleições surgiram de iniciativas dos próprios eleitores.

Redação

02 Outubro 2014 | 17h23

Por Marina Barros*

A internet e as redes sociais têm ocupado um papel importante nestas eleições. Entendida como um canal mais democrático e participativo, esperava-se que os candidatos fizessem amplo uso da rede em suas campanhas, mas as ferramentas mais inovadoras no campo das eleições surgiram de iniciativas dos próprios eleitores.

Em outro artigo foram apresentadas algumas das ferramentas que dão mais transparência ao processo eleitoral e fornecem dados sobre os candidatos para ajudar o eleitor a tomar sua decisão. Foi também com esse intuito que surgiu o Atlas Político, plataforma que reúne uma impressionante quantidade de dados sobre políticos e candidatos nas eleições de 2014.


A plataforma agrega diversas bases de dados em um formato acessível e intuitivo. Os desenvolvedores partiram de cinco critérios que consideram mais apropriados para a avaliação de um candidato: representatividade, campanha responsável, ativismo legislativo, debate parlamentar e fidelidade partidária. Outra funcionalidade dessa plataforma é o Mapa do Congresso, que permite uma visão geral dos candidatos e de seus posicionamentos em relação às bancadas, ao governo (situação ou oposição) e à sua identidade ideológica, direita ou esquerda.

Um dos idealizadores do Atlas Político, Andrei Roman, esteve na FGV Direito Rio para apresentar a ferramenta e respondeu algumas perguntas do Blog Conexão Eleitoral:

 

Conexão Eleitoral: Qual foi a motivação para a criação do Atlas Político?

 

Andrei Roman: A ideia de criar o Atlas surgiu durante as grandes manifestações do ano passado. A minha leitura sobre aquelas manifestações é que, antes de qualquer pauta específica, elas aconteceram por conta da acentuação de uma profunda crise de representação política. Como é que podemos eleger políticos melhores? Eu acho que a resposta é bastante óbvia: reconhecendo que eles não são iguais e tentando diferenciar aqueles que são competentes, atuantes e comprometidos dos que não são; diferenciar aqueles que têm ficha limpa daqueles que não têm; diferenciar aqueles que respeitam as suas promessas, os seus eleitores e os seus próprios partidos dos que não fazem isso. O desafio, então, é de fazer essas diferenciações.

 

C.E.: Como o eleitor indeciso pode usar o Atlas Político?

 

A.R.: A grande maioria dos políticos brasileiros que concorrem a um cargo eletivo importante já tem uma trajetória política bastante vasta. Então, a nossa recomendação seria de começar por aí. O Ranking 5D pode ser um ponto de partida para descobrir políticos responsáveis, mas não necessariamente os valores e os posicionamentos políticos deles correspondem aos seus. Então, o Mapa do Congresso pode clarificar algumas dessas dúvidas, pelo menos para aqueles candidatos que sejam deputados federais ou senadores neste momento. Os perfis individuais dos candidatos e dos congressistas contêm mais informações que podem ser úteis. A nossa recomendação, porém, é de usar o Atlas como um primeiro passo e não como o fundamento principal para o seu voto. Use o Atlas para descobrir bons políticos, mas verifique depois se eles têm realmente um compromisso com as causas que são mais importantes para você.

 

*Marina Barros é pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio.

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